Sonda japonesa não consegue entrar na órbita de Vênus

O fracasso de sua primeira missão a Vênus representou um forte revés para o programa espacial do país

Efe,

09 Dezembro 2010 | 11h43

A Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (Jaxa) informou na quarta-feira, 8, que a sonda Akatsuki (Aurora) fracassou em sua tentativa de penetrar na órbita de Vênus, quase sete meses após ter partido da Terra.

 

O fracasso de sua primeira missão a Vênus representou um forte revés para o Japão, que com sua tecnologia de ponta procurava preencher um vazio entre as potências mundiais em pesquisa espacial.

 

 

 

A Agência de Prospecção Aeroespacial do Japão (Jaxa) admitiu que um problema técnico impediu que a sonda Akatsuki entrasse na órbita de Vênus, considerado o planeta "gêmeo" da Terra. 

 

Um problema no motor, que não desacelerou a tempo, fez com que a sonda deixasse para trás Vênus, o que representou um banho de água fria para ambiciosa missão na qual Jaxa trabalhava há 11 anos.

 

Pelo projeto, era preciso manter aceso durante 12 minutos o motor da sonda para assim poder freá-la e colocá-la na órbita do planeta, processo que fracassou por razões ainda desconhecidas.

 

Foram investidos 25,2 bilhões de ienes (230 milhões de euros) no desenvolvimento da Akatsuki, que viajou 520 milhões de quilômetros desde seu lançamento a bordo de um foguete, em 21 de maio.

 

O "pai" da missão, o cientista Masato Nakamura, reconheceu, visivelmente triste, o fracasso, embora tenha garantido que mantém esperanças no longo prazo porque prevê que a sonda passe de novo perto de Vênus dentro de seis anos e terá então uma "alta probabilidade" de entrar em sua órbita.

 

Com Akatsuki, Japão pretendia se transformar no primeiro país a realizar um mapa tridimensional das espessas nuvens sulfúricas que envolvem Vênus, além de estudar de perto seus fenômenos meteorológicos e vulcânicos.

 

Se tivesse alcançado sucesso, teria se transformado na primeira nação asiática a chegar à órbita venusiana, onde está há quatro anos a sonda Vênus Express, da Agência Espacial Europeia (ESA).

 

A Jaxa já havia tentado colocar em duas ocasiões anteriores, em 1998 e 2003, uma sonda na órbita de Marte, a "Nozomi", que acabou sendo abandonada no espaço em vista dos sucessivos fracassos.

 

O recente fracasso representa um novo baque para o programa espacial japonês que, baseado em sua tecnologia de ponta, está centrado principalmente na prospecção planetária e de asteroides, ao contrário dos programas das outras duas potências espaciais asiáticas, China e a Índia.

 

Estas revelam suas próprias corridas espaciais com destaque nas missões tripuladas e a investigação sobre a Lua, e recentemente o Governo de Pequim anunciou que construirá sua própria estação espacial com o objetivo de colocá-la em órbita no ano 2020.

 

A Coreia do Sul, sede de gigantes tecnológicos como Samsung, luta por tornar-se a quarta potência espacial da Ásia, embora, por enquanto, suas tentativas de enviar ao espaço foguetes de fabricação nacional acabaram fracassadas.

 

Nesse sentido, Japão, que colabora estreitamente com a Nasa e a Agência Espacial Europeia (ESA), está atrás dos vizinhos em vários campos de pesquisa, como o dos asteroides.

 

Uma das maiores conquistas da Jaxa nos últimos anos foi ter conseguido neste ano trazer outra vez a sonda Hayabusa, que havia sido lançada sete anos antes para recolher partículas do asteroide Itokawa, que orbita na Terra.

 

As mostras, que estão sendo examinadas pelos analistas da Jaxa, foram as primeiras de um asteroide recolhidas no espaço a chegar a nosso planeta.

 

O programa de pesquisa espacial japonês começou a ser desenvolvido a pleno motor em 2003, quando Japão decidiu unir a Agência Nacional de Desenvolvimento espacial e outros dois centros de pesquisa para criar a Jaxa.

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