Sonda prepara entrada na misteriosa atmosfera de Titã

A sonda européia Huygens entrará na sexta-feira na atmosfera de Titã, a maior lua de Saturno, numa das mais fascinantes operações científicas da história. A missão da sonda é coletar dados sobre componentes da atmosfera do misterioso satélite.Se tudo der certo, a Huygens pousará na superfície de Titã e passará também a enviar dados sobre este ambiente jamais visto, por estar oculto sob a densa camada de gases. Mas, como o pouso é incerto e de alto risco, os pesquisadores apostam todas as fichas nos dados sobre a atmosfera.A sonda terá menos de três horas para coletar e enviar todos os dados que puder - temperatura, pressão, velocidade do vento e composição da atmosfera -, antes de tocar a superfície de Titã, podendo então desaparecer no fundo de um lago de etano ou metano.Se conseguir isso, das 8h13 até aproximadamente as 10h30 de sexta-feira (horário de Brasília), e pousar numa superfície estável, de rocha ou gelo, então estará aberta uma fase de promissoras descobertas sobre a possibilidade de vida fora da Terra e sobre o surgimento da vida na própria Terra.Surgimento da vidaOs cientistas supõem que Titã tenha as características que a Terra teve há 4 bilhões de anos, antes do surgimento da vida, principalmente na composição da sua atmosfera. Em 1980, a sonda Voyager I constatou que o ar rico em nitrogênio era misturado com metano e outros compostos complexos baseados em carbono.A química do hidrocarbono, que lança um névoa de gás espessa e amarelada sobre a superfície da lua, indica que a paisagem obscura pode incluir grandes áreas de gelo e de uma substância orgânica pegajosa, possivelmente lagos de etano e metano líquidos.A hipótese de haver formas de vida - como as existentes na Terra - em Titã agora só não é alentada por causa da temperatura naquele satélite, de 178 ºC negativos. Mas o fato de ser o único satélite conhecido que dispõe de uma atmosfera já é suficiente para explicar o interesse especial dos cientistas por Titã.Estudo especialA sonda Huygens foi especialmente construída para explorá-la como parte da missão em Saturno, levada a cabo pelas agências espaciais dos EUA (Nasa), da Europa (ESA) e da Itália, com a participação de cientistas de 17 países no total.Huygens foi feita pelos europeus e foi ao espaço, em 1997, junto com a americana Cassini, encarregada de investigar Saturno. A Cassini-Huygens entrou na órbita do gigante gasoso em 1.º de julho passado. No último 25 de dezembro, quando passavam perto de Titã, a sonda européia se desprendeu da americana, iniciando a manobra de aproximação do satélite.A Huygens tem 2,75 metros de largura e pesa 317 quilos. Seu alvo é o hemisfério sul de Titã. A nave viaja com seus instrumentos científicos desligados para economizar energia. A bordo, três relógios marcam o tempo, programados para acordar a nave 45 minutos antes que atinja as bordas externas da atmosfera da lua de Saturno.

Agencia Estado,

12 de janeiro de 2005 | 16h55

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