SOS Mata Atlântica quer preservar mangue no Guarujá

A Fundação SOS Mata Atlântica inaugura, neste sábado, o Centro de Educação Ambiental e Estudos do Mangue, no Guarujá (litoral sul de São Paulo). O espaço servirá de base para o Programa de Gestão e Conservação da Serra do Guararu, cujo objetivo é mobilizar comunidades locais, proprietários e turistas para a preservação de uma região de 4 mil hectares de Mata Atlântica e mangue, localizada no canal de Bertioga e ameaçada por ocupações irregulares, especulação imobiliária e tráfico de drogas.O projeto foi precedido de um diagnóstico social, ambiental e legal da região, considerada prioritária para conservação pela entidade. ?Apesar da forte pressão antrópica, causada pela expansão de condomínios de veraneio e pela ocupação das áreas serranas pela população de baixa renda, a Baixada Santista ainda contém 52% dos mangues paulistas, berçários das espécies marinhas e importante fonte de renda para os caiçaras?, diz Malu Ribeiro, coordenadora do Projeto Guararu.O diagnóstico foi realizado com a participação das comunidades e lideranças locais e identificou as comunidades de Prainha Branca e Cachoeira, que somam 250 famílias, como público para as primeiras oficinas de capacitação ambiental. ?Adotamos um modelo colaborativo, pois queríamos que os próprios moradores apontassem os problemas da região, que são lixo, esgoto a céu aberto, saneamento e violência?, explica Euci Camargo, advogada da SOS Mata Atlântica. O primeiro ponto a ser atacado, segundo Euci, será o lixo, com trabalho voltado para reciclagem. ?São comunidades muito pobres, por isso o projeto deve trazer algum ganho econômico, que contenha alternativas para a população?. Previsto para durar três anos e com custo de R$ 800 mil, o projeto é patrocinado pela Sociedade Amigos do Iporanga (SASIP), condomínio de luxo da região, localizado na praia de Iporanga. Além de implantarem pequenas reservas de Mata Atlântica no entorno do condomínio, como forma de compensar o passivo ambiental gerado pelo empreendimento, os proprietários de Iporanga querem colaborar para viabilizar a recuperação e sustentabilidade ambiental da área.Motivo de Ação Civil Pública, o condomínio tenta formalizar um Termo de Ajustamento de Conduta com o Ministério Público, mas tem enfrentado oposição de entidades ambientalistas da região. Entre as ações já implantadas, está a abertura de um acesso à praia, que durante muito tempo foi fechada, o que é proibido pela legislação brasileira. ?Nossa briga é com o loteador e não com os proprietários. Além disso, a situação nas áreas invadidas é dramática, caso não se faça algo agora, vamos perder o que ainda está preservado?, diz a advogada da SOS. Além da parceria com a SASIP, as ações do projeto incluem palestras e encontros com proprietários de condomínios e turistas, para o fomento de programas de ecoturismo e articulação para apoio institucional. ?Nosso objetivo é conseguir, ao final desses três anos, transformar a rodovia Guarujá-Bertioga em uma estrada parque, criar um pólo ecoturístico na Prainha Branca e fazer frente às invasões e aos grandes empreendimentos, que incluem projetos de construção de cassinos, caso o jogo seja liberado no país?.

Agencia Estado,

03 de maio de 2002 | 15h46

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