SpaceX via AP
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SpaceX anuncia parceria para enviar turistas a órbita profunda

Missão deve ser realizada em 2022 com custo estimado de mais de US$ 100 milhões; 'turistas' terão de passar por treinamento de quatro semanas

Ivan Couronne, AFP

19 de fevereiro de 2020 | 09h00

WASHINGTON - A SpaceX anunciou nesta terça-feira, 18, uma nova sociedade para enviar quatro turistas para a órbita mais distante que um cidadão comum já havia feito, em uma missão que poderia ser realizada em 2022 e custaria mais de US$ 100 milhões.

A empresa assinou um acordo com a Space Adventures, que tem sede em Washington e serviu como intermediária para enviar oito turistas à Estação Espacial Internacional (ISS) via foguetes russos Soyuz.

O primeiro deles foi Dennis Tito, que pagou US$ 20 milhões por uma estadia de oito horas na ISS em 2001. O último a fazer essa viagem em 2009 foi Guy Laliberte, fundador do Cirque du Soleil.

Os novos turistas viajariam na cápsula SpaceX Crew Dragon, que foi desenvolvida para transportar astronautas da Nasa e deve fazer seu primeiro voo tripulado nos meses seguintes.

"Nosso objetivo é tentar atingir cerca de duas a três vezes a altura da estação espacial", disse Tom Shelley, presidente da Space Adventure.

A ISS orbita 400 quilômetros acima da superfície da Terra, mas a altitude exata da missão Space Adventures seria determinada pela SpaceX, de acordo com Shelley.

Em princípio, isso poderia ocorrer no final de 2021, embora "provavelmente seja em algum momento de 2022", disse ele.

A cápsula foi projetada para trazer astronautas de superfície para a ISS. Em um espaço de apenas nove metros quadrados, não há áreas privadas para dormir, tomar banho ou usar o banheiro.

A duração da missão dependerá do que os passageiros desejarem, segundo  Shelley. Questionado sobre o preço, ele respondeu: "Não é barato".

O custo de lançamento de um foguete Falcon 9 é de US$ 62 milhões. Além disso, há o custo de fabricação de uma nova cápsula Dragon.

Poderia exceder 100 milhões? "Sua avaliação está correta, mas não posso comentar números específicos", acrescentou. "Temos uma boa rede de trabalho de alto patrimônio líquido em todo o mundo, sabemos que muitos deles estão interessados em uma viagem ao espaço", acrescentou.

Diferentemente do turismo para a ISS, que exigiu seis meses de treinamento em Moscou, a próxima missão exigirá quatro semanas de participação nos Estados Unidos.

Após um período de 12 anos, a Space Adventures também quer enviar mais dois turistas para a ISS a bordo de um foguete russo em 2021.

Em 2005, a empresa anunciou que planejava enviar dois turistas ao redor da Lua, mas Shelley confirmou que essa missão foi abandonada.

Outras empresas que oferecem viagens ao espaço

Outras empresas envolvidas no turismo espacial são a Virgin Galactic, de Richard Branson, e a Blue Origin, de Jeff Bezos.

Os dois estão desenvolvendo naves para enviar turistas para trás da linha espacial (80 ou 100 quilômetros, dependendo das definições escolhidas por ambos). Os pacotes para viajar com a Virgin começaram em US$ 250 mil, quando foram colocados à venda em meados de 2000.

A oferta da SpaceX é muito mais ambiciosa e é alimentada pelo mesmo foguete Falcon 9 que colocou satélites no espaço e enviou astronautas à ISS.

Ao mesmo tempo, a Boeing está desenvolvendo uma cápsula tripulada chamada Starliner, que também pretende trazer astronautas americanos para a plataforma ISS.

Como a SpaceX, a Boeing também planeja enviar turistas ao espaço, mas o desenvolvimento do programa é dificultado por grandes falhas que resultaram no cancelamento antecipado de um voo de teste não tripulado em dezembro.

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