SPOT5 abre novos campos de estudo e planejamento

Uma empresa brasileira acaba de fechar contrato de representação com a Spot Image, da França, e já começou a distribuir imagens do SPOT5, com exclusividade, no país. Trata-se de um satélite com recursos inéditos, complementar aos outros satélites comerciais existentes no mercado e com melhor custo-benefício, em termos de resolução x preço por quilômetro quadrado de imagem. Sua utilização pode tornar muito mais precisas as pesquisas, análises e mapeamentos de base orbital.Lançado em julho de 2002, o SPOT5 se diferencia dos demais satélites de sensoriamento remoto, sobretudo, por sua capacidade de imageamento na diagonal. Ou seja, além de ?enxergar? a superfície terrestre na perpendicular, suas câmeras também fazem tomadas laterais. Depois de processadas, estas tomadas permitem reproduzir imagens tridimensionais de áreas com relêvo acidentado. ?A tradição é produzir imagens trimensionais em aerofotogrametria, mas, para isso são feitas duas fotos de tudo e a análise é com estereoscopia?, explica Enéas Brum, presidente da Imagem/Intersat, empresa responsável pela distribuição do SPOT 5 no Brasil. ?Com o novo satélite temos um levantamento tridimensional sistemático, com produção em larga escala, de imagens padronizadas, com alta precisão e posicionamento conhecido?. E a análise é ao computador.O novo recurso é um passo gigantesco para mapeamento de fatores dependentes de relêvo, como o potencial de erosão de solos, em regiões acidentadas, ou o impacto de deslizamentos em encostas íngremes. As imagens do SPOT5, nestes casos, viabilizam estudos em escala regional, com alta precisão e baixo custo. E ainda é possível combinar imagens de satélites de maior resolução ? como Quick Bird e Ikonos ? com o software de relêvo do SPOT5, abrindo todo um campo de novas aplicações e possibilidades de planejamento. Este tipo de ?casamento? de tecnologias já está auxiliando a agência espacial americana (Nasa) a localizar os destroços do ônibus espacial Columbia, com o uso de um software do Environmental Systems Research Institute Inc. (ESRI), da Califórnia, sobre imagens SPOT5, processadas por pesquisadores e estudantes da Stephen F. Austin University, do Texas.Satélites complementaresNo Brasil, um dos primeiros usuários do SPOT5, o grupo de pesquisa da Embrapa Monitoramento por Satélite (CNPM), está fazendo o diagnóstico da atual situação do solo, água, vegetação e fauna do município de Campinas, numa contribuição para a Agenda 21 Municipal. ?O SPOT 5 é ideal para a escala municipal, porque não é caro como o QuickBird ou Ikonos, e oferece a resolução adequada ao planejamento e acompanhamento de ações locais?, diz Evaristo Eduardo de Miranda, do CNPM. Muitos municípios estão nesta fase de elaboração de suas Agendas 21, uma vez que o documento nacional e boa parte dos estaduais já foram feitos. A Agenda 21 é uma espécie de plano de gestão ambiental, participativo, realizado com base nas diretrizes mundiais, definidas durante a Rio92.Ainda de acordo com Miranda, o SPOT5 também é o satélite de excelência para o planejamento metropolitano. ?Permite, por exemplo, monitorar a ocupação ilegal em áreas de mananciais, até duas vezes por ano, com um nível de detalhe superior ao do Landsat 7 e preço compatível com os atuais orçamentos?. As imagens do SPOT5 são de 7 e 15 vezes mais baratas que os similares até agora disponíveis, chegando a ter um custo mínimo de US$2 dólares por km2.?Com o SPOT5 agora também se cria a possibilidade de racionalizar o uso dos diversos satélites comerciais, adotando o que há de melhor em cada um?, acrescenta Enéas Brum. E exemplifica: no estudo de grandes regiões - como a defesa de fronteiras - o Landsat 7 é o mais adequado, podendo cobrir faixas de 1000 x 200 km ou 200 mil km2. Para detectar problemas com mais clareza ? pistas clandestinas, trilhas, pequenos desmatamentos irregulares ? o SPOT5 pode fornecer imagens de áreas de 15 mil km2, com detalhes de até 2,5 metros. E para uma análise mais aprofundada e monitoramento ? de atividades clandestinas, apenas nas áreas suspeitas ? o Quick Bird ou Ikonos são os mais indicados. ?Na previsão de safras, estas mesmas escalas equivaleriam a dizer que o Landsat 7 pode fornecer o mapa das áreas plantadas - cafezais, digamos - o SPOT5 pode identificar os talhões e com o Quick Bird dá para contar os pés de café e verificar as condições fitossanitárias?, conclui o presidente da Imagem/Intersat. Com o presente contrato, a empresa agora é o sétimo canal Spot Image do mundo, junto com a DigitalGlobe e Resource21, nos Estados Unidos; ImageOne, no Japão; Luncuts, no Canadá; BSA. na Mauritânia e Raytheon, na Austrália.Clique aqui e Veja a galeria de imagens "O versátil olhar do Spot5"

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