Tartaruga volta ao mar depois de ser tratada em Santos

A tartaruga marinha que estava no Aquário Municipal de Santos voltou hoje para o mar com a ajuda de homens do Corpo de Bombeiros, técnicos do Ibama e veterinários do aquário. O exemplar, da espécie couro, porque no lugar do casco tem o dorso coberto por uma pele grossa, estava recebendo cuidados médicos desde a noite do último sábado, quando encalhou na Praia Grande. Sem a nadadeira peitoral esquerda, o réptil já havia encalhado o ano passado em Cananéia, no extremo Litoral Sul. A operação para transportá-lo começou cedo. Às 8h, funcionários do aquário o retiraram da piscina onde ele estava sendotratado. Com a ajuda de dez homens, a tartaruga foicarregada numa rede até próximo do guincho e colocada novamente dentro da piscina com o auxílio de um pequeno guindaste do Corpo de Bombeiros. O local onde foi amputada sua nadadeira sangrou um pouco. "Vamos medicá-la e molhá-la durante o caminho. A água é o melhor remédio para ela", explicou a veterinária Andrea Maranho,enquanto colocava sobre o veículo baldes de água salgada e colchões umedecidos.Para evitar que a tartaruga ficasse muito estressada, Andrea colocou um pano úmido sobre seus. "Ainda bem que o dia está nublado", comentou.Ela foi levada para uma marinha na baia de Santos. Lá, com a ajuda de dezenas de pessoas, a tartaruga e a piscina foram postas dentro de uma lancha. "Vamos soltá-la próximo do Parque Estadual da Laje de Santos", explicou a veterinária. Segundo ela, o local fica a aproximadamente 34 km da costa e tem 25 metros de profundidade. "Vamos até lá para que ela siga seu caminho e não volte para a praia", disse Ingrid Oberg, chefedo Ibama. As tartarugas de couro habitam locais com até 60 km de profundidade. Elas são primitivas, da época dos dinossauros. Pouco sabe a espécie, que está em extinção. O exemplar resgatado é macho, jovem e pesa 255 kg. Os machos vivem somente em alto mar, enquanto as fêmeas vão à praia na época da desova. NoBrasil, há registro de desova somente em Resende, no Espírito Santo, onde o Ibama catalogou dez fêmeas. O trajeto da marinha até o lugar estipulado pelosprojeto Tamar para soltura da tartaruga durou duas horas e meia. "Na água elaficou se orientando um pouco na superfície, depois respirou fundo e desceu", disse Andrea.

Agencia Estado,

15 de janeiro de 2004 | 19h32

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