Tartarugas, a caminho da extinção

A destruição e fragmentação de habitats; a caça de subsistência; o tráfico para abastecer mercados de animais de estimação e de produtos usados na medicina tradicional (asiática, sobretudo); a competição com espécies invasoras; a poluição química, biológica e hormonal e o aquecimento global estão afetando tartarugas terrestres e de água doce, a ponto de colocar muitas espécies a caminho da extinção. É o que mostra a lista vermelha das 25 espécies de tartaruga mais ameaçadas, divulgada hoje, pelo Fundo de Conservação das Tartarugas (TCF), em Washington DC, nos Estados Unidos.Compõem a lista duas espécies da América do Sul, uma da América Central, doze da Ásia, três de Madagascar, duas da África do Sul, duas dos EUA, duas da Austrália e uma do Mediterrâneo. Dezoito, dentre as 25, são aquáticas. E 21 vivem nos chamados Hotspots de Biodiversidade, regiões de alta diversidade biológica, onde a vegetação original já foi alterada em mais de 70%. Nenhuma das 28 espécies brasileiras de quelônios está na lista vermelha internacional, mas pelo menos 6 delas são consideradas ameaçadas de extinção, de acordo com a publicação GeoBrasil 2002, do Ministério do Meio Ambiente (MMA), embora o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) só inclua um cágado (Phrynops hogei) na sua lista oficial de fauna ameaçada. Nove das 28 espécies de ocorrência em território brasileiro são endêmicas, isto é, só existem em regiões restritas.De qualquer forma, as tartarugas brasileiras estão numa segunda lista mundial, de 200 espécies, que precisam de algum tipo de manejo ou intervenção para limitar as pressões, sob risco de entrar na lista vermelha, nos próximos 20 anos. Dentre estas, as mais predadas, no Brasil, são a tartaruga-da-Amazônia (Podocnemis expansa), tracajá (Podocnemis unifilis), pitiú (Podocnemis sextuberculata) e muçuã (Kinosternon scorpioides), todas para consumo da carne e ovos e devido ao comércio ilegal.Vale lembrar, que pelo menos 9 espécies de tartarugas já foram reconhecidamente extintas pelo homem moderno. E o total de quelônios conhecidos, no mundo, é de cerca de 300. Ou seja, somente um terço das tartarugas terrestres e aquáticas ainda pode ser considerado fora de perigo.O Fundo de Conservação de Tartarugas (TCF) é uma parceria estratégica contra a extinção, que envolve o Centro de Ciência Aplicada à Biodiversidade (CABS/CI), a União Mundial para a Natureza (IUCN/SSC e TSA) e o Grupo de Especialistas em Cágados e Tartarugas de Água Doce (TFTSG). A intenção é levantar recursos da ordem de US$ 5,6 milhões para pesquisar a criação em cativeiro (utilizando animais apreendidos); estabelecer centros de resgate; fazer monitoramento; coibir o comércio ilegal; estudar as áreas onde estão as populações mais afetadas e criar programas sustentáveis de captura, aliados a programas educativos para comunidades, que vivem próximas destas áreas. ?Ainda que o plano do TCF seja uma gota de esperança para algumas dessas espécies ameaçadas, para outras é demasiado tarde?, diz Rick Hudson, co-diretor da Aliança para a Conservação das Tartarugas da IUCN. ?A menos que se trabalhe com um alarme de emergência, muitas outras espécies vão ter a mesma sorte do Solitário George, único sobrevivente das tartarugas Abingdon das Ilhas Galápagos?. Último exemplar de sua espécie, de alta longevidade, ele poderá viver sozinho por mais um século.

Agencia Estado,

15 de maio de 2003 | 16h37

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