Taturana assassina faz mais uma vítima em SP

Depois de quase três anos sem nenhum acidente no Estado de São Paulo, a "taturana-assassina" voltou a causar problemas, envenenando tão seriamente um pescador em São Bernardo do Campo, que ele está internado com insuficiência renal, no Hospital Emílio Ribas.A vítima é Edízio Figueiredo dos Santos, de 66 anos, e o acidenteocorreu na manhã de domingo, junto à praia "Los Angeles", na beira da represa. Edízio apoiou a mão numa árvore e sentiu imediatamente a queimadura. Diz ele que as taturanas estavam formando uma espécie de tapete de 50 por 50 centímetros, e por isso foi picado pelas cerdas de mais de uma dezena de insetos. Para não estragar o programa dos amigos, Edizio continuou na beira da represa apesar da queimadura e da sensação de dormência na mão, mas passou a sentir violenta dor de cabeça, mais tarde vomitou e quando às 16 horas começou a urinar sangue e perder muito sangue pela gengiva, foi levado para o Emílio Ribas, onde recebeu o soro específico, preparado pelo Instituto Butantã.Como é raro que os acidentes com a "taturana assassina" causem esses sintomas em São Paulo, embora no Rio Grande do Sul o inseto tenha provocado várias mortes, o setor de Entomologia do Butantã vai vistoriar o local do acidente neste domingo, tentando capturar taturanas para pesquisa.O entomólogo Roberto Henrique Moraes, que cria a taturana emcativeiro, explica que há várias décadas o inseto provoca acidentes graves no Amapá e nas selvas da Colombia, onde soldados do Exército foram vitimados.No Sul do Brasil, entretanto, os acidentes começaram há cerca de dez anos, quando algum problema ecológico, possivelmente a destruição das matas nativas, levou a taturana, cientificamente conhecida como "lonomia obliqua", a migrar para os pomares. Ela adaptou-se a uma dieta de folhas de nêspera, abacate, pêssego e outras frutíferas que come à noite, enquanto durante o dia se congrega em grande número no tipo de "tapete" descrito pela vítima de São Bernardo.Os acidentes com a taturana foram tantos em meados da década passada, que o Butantã passou a depilar as taturanas que produzia, fazendo um macerado dos minúsculos pelos que contém o veneno, líquido esse que foi injetado em quantidades crescentes em cavalos, cujo organismo acabou produzindo o "soro anti-lonômico". É esse produto que o Butantã tem enviado para vários Estados, cada vez que há um acidente com o inseto e que também foi aplicado em Edízio, na tentativa de reverter o envenenamento. Ainda segundo o entomólogo, o veneno da "lonomia" destrói os fatores de coagulação do sangue, por isso o grande sangramento, mas nos casos que acabam em morte o problema é o acúmulode células do sangue, destruídas pela toxina, que se acumulam no rim, impedindo seu funcionamento.

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