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Taxa de desemprego cai para 6,7%, mínima histórica

Número de desempregados despencou 19,3% no País, de 8,216 milhões em 2009, quando foi divulgada a última pesquisa, para 6,627 milhões em 2011

Daniela Amorim, Fernando Dantas, Clarissa Thomé e Felipe Werneck, do Rio,

21 Setembro 2012 | 10h01

 A taxa de desemprego atingiu a mínima histórica em 2011, 6,7%, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada nesta sexta-feira, 21, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa taxa não é comparável à da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do mesmo instituto, que faz o levantamento apenas de seis regiões metropolitanas do País. Em 2011, a taxa de desemprego média da PME foi de 6%.

O número de desempregados despencou 19,3% no País, de 8,216 milhões em 2009, quando foi divulgada a última pesquisa, para 6,627 milhões em 2011. "De 2008 para 2009, houve um avanço grande na desocupação por causa da crise internacional. Por isso temos agora uma redução de 1,6 milhão de pessoas na desocupação", explicou Cimar Azeredo, gerente da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE.

A queda no número de desocupados alcançou dois dígitos em todas as regiões brasileiras na passagem de 2009 para 2011: Norte (-13,8%), Nordeste (-13,0%), Sul (-28,2%), Sudeste (-21,3%) e Centro-Oeste (-24,0%).

"Essa queda grande (no número de desempregados) é por causa do aumento que teve lá atrás por causa da crise", afirmou Maria Lucia Vieira, gerente da PNAD.

A taxa de desemprego também teve redução em todas as regiões do País no período: Norte (de 8,2% em 2009 para 6,9% em 2011), Nordeste (de 8,9% para 7,9%), Sul (de 5,9% para 4,3%), Sudeste (8,8% para 7,0%) e Centro-Oeste (de 7,7% para 5,8%). A taxa nacional de desemprego vinha recuando desde 2005, mas, com o advento da crise econômica externa, houve retração no número de vagas em 2009. A taxa de desemprego, que ficou em 7,1% em 2008, tinha aumentado para 8,2% naquele ano.

Outro avanço no mercado de trabalho foi o salto na formalização do emprego. O número de pessoas ocupadas com carteira assinada no setor privado subiu 11,8% em 2011 ante 2009, o equivalente a 3,6 milhões de novos empregos formais. O contingente de trabalhadores com carteira foi estimado em 33,9 milhões, uma fatia de 74,6% dos empregados do setor privado (contra 70,2% verificados em 2009).

 

 Mulher jovem, parda ou preta, compõe o perfil típico do desempregado

Apesar de a desocupação ter atingido a mínima histórica em 2011, com taxa de 6,7%, alguns grupos ainda enfrentam dificuldades para se inserir no mercado de trabalho. O típico desempregado no País é mulher, jovem, preta ou parda, que não concluiu o ensino médio e com pouca ou nenhuma experiência profissional, segundo perfil traçado pelo IBGE.

A pesquisa mostra que 59% dos desempregados eram mulheres, outros 57,6% declararam-se pretos ou pardos, 53,6% não tinham concluído o ensino médio, 35,1% não tinham trabalhado anteriormente e 33,9% tinham entre 18 e 24 anos de idade.

A pesquisa mostra que, na passagem de 2009 para 2011, a ocupação aumentou na faixa etária de 30 anos ou mais (de 67,6% para 68,8%), ao passo que a proporção de ocupados diminuiu na faixa de 15 a 29 anos (de 32,4% para 31,2%).

A taxa de desemprego de acordo com as faixas etárias também comprova que os mais velhos têm mais facilidade para ingressar no mercado de trabalho do que os mais novos. A desocupação ficou em 22,9% na faixa de 15 a 17 anos, em 15,0% de 16 a 24 anos, e em 13,8% de 18 a 24 anos. A mesma taxa cai para apenas 3,7% na faixa de 40 a 49 anos e 5,2% na faixa de 30 a 39 anos.

Ocupação cresce, mas número de jovens empregados cai no Nordeste

O País contabilizou 92,5 milhões de trabalhadores ocupados em 2011, segundo a Pnad. O montante foi 1,1% maior do que o verificado na Pnad anterior, referente a 2009, o equivalente a 1,1 milhão de empregados a mais. Houve expansão na ocupação nas regiões Norte (3,7%), Sudeste (1,6%), Sul (0,8%) e Centro-Oeste (3,3%). Na contramão do resultado nacional, apenas a Região Nordeste verificou redução na população ocupada. A queda foi de 0,9% em 2011 em relação a 2009, mas puxada pela saída de jovens do mercado de trabalho.

"Parte expressiva da queda na ocupação no Nordeste foi na faixa de 14 a 17 anos. É uma população que deseja estar na escola, terminar os estudos", explicou Cimar Azeredo, gerente da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE.

No Nordeste, a redução no mercado de trabalho local foi de 209 mil pessoas, sendo que, dentro da faixa etária de 14 a 17 anos, o recuo foi de 189 mil pessoas ocupadas. Segundo o IBGE, essa população jovem que antes precisava trabalhar para ajudar a família foi beneficiada pelo aumento da renda familiar, por isso pode deixar o mercado de trabalho.

"Então parte dessa queda (na ocupação) se explica pela queda no trabalho infantil. Mas tem um lado negativo, porque geração de postos de trabalho não foi suficiente para reduzir de forma mais expressiva a população desocupada no Nordeste", acrescentou.

Em 2011, a Região Nordeste ainda registrou a maior taxa de desemprego do País, de 7,9%, embora tenha apresentado grande redução em relação ao patamar da desocupação de 2009, quando estava em 8,9%.

(Daniela Amorim, Fernando Dantas, Clarissa Thomé e Felipe Werneck)

Crescimento no nível de ocupação foi menor do que em relação ao período anterior

Embora a população ocupada tenha aumentado 1,1% em 2011 em relação a 2009, o crescimento foi inferior ao da população em idade ativa no mesmo período. Como resultado, o nível da ocupação - proporção de pessoas ocupadas na população em idade ativa - apontou deterioração: passou de 62,9% em 2009 para 61,7% em 2011.

No mesmo período, houve queda de 19,3% no número de desempregados, mas a população cresceu acima do número de vagas geradas pelo mercado de trabalho. "A redução na população desocupada se dá ou porque as pessoas conseguiram um trabalho ou porque desistiram de trabalhar", ponderou Cimar Azeredo, gerente da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE.

Isso explica porque houve redução no nível da ocupação apesar do aumento no número de pessoas ocupadas e da diminuição no total de desempregados. O IBGE considera como desempregados apenas as pessoas que ainda estão à procura de emprego.

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