Taxa de lixo aumenta demanda por reciclagem

A instituição da taxa do lixo pela Prefeitura de São Paulo provocou um aumento de mais de 50% das consultas ao Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), via telefone e e-mail, no município. Segundo André Vilhena, diretor executivo da entidade, a maior parte das solicitações são sobre locais para a entrega de embalagens usadas. Para José Roberto Giosa, coordenador da Comissão de Reciclagem da Associação Brasileira do Alumínio (Abal), a taxa deverá estimular ainda mais a indústria da reciclagem e aumentar a participação dos condomínios como fornecedores de material reciclável. Atualmente, 10% das latas de alumínio recicladas têm esta procedência, sendo a maior parte (43%) ainda proveniente das cooperativas e catadores. O restante do material é recolhido através de depósitos (19%), supermercados (7%), escolas (9%) e eventos (12%). A informação foi dada hoje, durante o anúncio do índice de reciclagem de latas de alumínio em 2002, que chegou a 87%, dois pontos acima do ano anterior, o que deve garantir novamente ao País a liderança do setor. Segundo Vilhena, embora a reciclagem de alumínio seja atualmente a mais competitiva, os índices têm aumentado para todos os materiais. Além dos tradicionais papelão, alumínio e aço - sucatas já consagradas -, novas oportunidades estão surgindo na área de plásticos e longa vida. ?Até o isopor, que os catadores não costumam levar por ser muito leve, já está sendo reciclado em alguns locais, como Curitiba. Um dos setores que mais crescem, porém, é o PET, o plástico com o melhor valor de mercado, entre R$ 600 e R$ 700 a tonelada, se estiver separado por cor. A estimativa de reciclagem de PET em 2002 foi de 38%?, disse. Uma das conseqüências desse processo, conforme o diretor do Cempre, é uma mudança no perfil dos catadores. ?A reciclagem começou como um trabalho informal, que ainda existe, mas atualmente já é uma opção de emprego até para trabalhadores mais qualificados. Em algumas cooperativas de São Paulo, os catadores estão ganhando entre R$ 900,00 e R$ 1.100,00 por mês, um bom padrão para o País?.Para o consumidor, o Cempre indica locais de recebimento dos materiais através do telefone (11-3889-7806) ou internet (www.cempre.org.br). ?Há locais para se entregar praticamente tudo, inclusive pneus. Os materiais orgânicos, porém, correspondem a 60% dos resíduos domiciliares. Assim, diminuir o desperdício de alimentos é a primeira providência para reduzir o volume do lixo doméstico?.

Agencia Estado,

15 de abril de 2003 | 15h43

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