Heiko Prümers, Carla Jaimes Betancourt, José Iriarte, Mark Robinson e Martin Schaich
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Fernando Reinach
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Tecnologia com lasers ajuda a encontrar cidades perdidas na Amazônia

Usando um novo radar, ciência descobre vilas e cidades debaixo da Amazônia boliviana

Fernando Reinach, O Estado de S.Paulo

04 de junho de 2022 | 05h00
Atualizado 06 de junho de 2022 | 18h42

Correções: 06/06/2022 | 18h42

A história da Floresta Amazônica vai ser reescrita. Imaginávamos que antes da chegada dos europeus era habitada por tribos semi-nômades, dispersas em pequenos grupos, que viviam da caça e de uma agricultura de pequena escala. Imaginávamos que essas populações, por serem pequenas e se movimentarem constantemente, praticamente não afetavam a flora e fauna da floresta. A descoberta de ruínas de grandes cidades, hoje cobertas pela floresta densa, mostra uma realidade bem diferente.

A primeira pista de que algo diferente existiu foi a descoberta de plantas cultivadas pelo homem em certas áreas da floresta. Em seguida, pesquisadores e fazendeiros descobriam em diversas regiões pequenas montanhas artificiais e restos de trilhas, claros vestígios de que humanos haviam construído vilas. Mas a escala e frequência dessas construções era um mistério. Nas últimas décadas foi desenvolvido uma espécie de radar, o LIDAR (Light Detection And Ranging), que usa lasers e é capaz de mapear a topografia da superfície do solo que está debaixo da floresta. No México, esse equipamento encontrou novas pirâmides na floresta.

Agora um grupo de cientistas colocou um LIDAR em um helicóptero e mapeou o solo de uma região onde tinham sido encontrados vestígios de presença humana. E levaram um susto. Foi mapeada uma região de 5 mil quilômetros quadrados em Llanos de Mojos, na Bolívia, perto da fronteira com o Brasil. Só nessa área foram encontradas 166 restos de pequenas vilas agrícolas e duas cidades. As cidades são relativamente grandes (100 hectares) e foram construídas sobre montanhas artificiais (espécies de aterros) e possuem pirâmides de até 20-30 metros de altura. Caminhos, também construídos sobre aterros, ligam as pequenas vilas às cidades maiores, que por sua vez possuem caminhos que saem do centro em direção a periferia de forma radial e anéis circulares que circundam as cidades. Foram detectados canais para o direcionamento da água, depósitos de grão e outras construções. Os cientistas acreditam que essas cidades foram construídas pelos Casarabe, civilização que vivia nessa região desde 500 anos d.C.

No Egito, e em outras regiões, restos arqueológicos podem ser identificados facilmente na paisagem. Já em regiões cobertas por florestas densas, ruínas são rapidamente tomadas pela floresta e ficam invisíveis por debaixo da floresta. O que essa descoberta demonstra é que a Amazônia ainda guarda segredos.

MAIS INFORMAÇÕES: LIDAR REVEALS PRE-HISPANIC LOW-DEN URBANISM IN THE BOLIVIAN AMAZON. NATURE  

* É BIÓLOGO

Correções
06/06/2022 | 18h42

A civilização Casarabe vivia em Llanos de Mojos, na Bolívia, desde 500 anos d.C., e não 500 anos a.C.

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