Telescópio captura imagens inéditas de lua de Saturno

Astrônomos no Observatório Paranal, no Chile, capturaram as melhores imagens já vistas de Titã (foto), a principal lua de Saturno. As imagens aparentemente mostram nuvens na grossa atmosfera de nitrogênio, metano e hidrocarbonetos oleosos da lua.O telescópio de raio X Chandra, na órbita da Terra, também estudou a atmosfera de Titã durante a passagem da lua em frente aos restos inflamados de uma estrela explodida.Em janeiro de 2005, será possível descobrir mais sobre Titã quando a sonda Huygens tentar pousar nos oleosos oceanos da lua de Saturno.Traços nubladosEmbora as missões Voyager tenham registrado imagens da lua com alguns detalhes na década de 70, ainda há muitas dúvidas sobre Titã.Os astrônomos sabem que se trata de um dos objetos mais significativos do Sistema Solar ? a segunda maior lua e a única com uma grossa atmosfera.As camadas de nitrogênio, metano e hidrocarbonetos revelam características de um complexo processo químico. Titã pode até mesmo ter oceanos de metano ou etano debaixo de suas nuvens.Observações a partir da superfície terrestre são essenciais para garantir o sucesso da entrada da sonda Huygens.Os astronômos do Observatório Paranal utilizaram um pacote de lentes adaptáveis no telescópio de 8,2 metros Yepun. O pacote adaptável funciona como um espelho flexível para ajustar as lentes do telescópio e compensar as distorções na imagem causadas pela turbulenta atmosfera.As novas imagens mostram uma formação perto do pólo sul da lua, aparentemente uma nuvem característica. Mais observações estão previstas para o final do mês.Atmosfera expandidaJá nas imagens registradas pelo telescópio de raio X Chandra, da Nasa, os destaques são os gases inflamados da nebulosa Crab ? os ardentes detritos de uma estrela supernova destruída em uma explosão.A silhueta de Titã sob os gases inflamados permite que a extensão de sua atmosfera seja analisada. Curiosamente, a atmosfera da lua de Saturno parece ligeiramente maior que as estimativas anteriores."Saturno estava cerca de 5% mais perto do Sol em 2003. Então, o crescente calor solar de Titã pode ter causado uma expansão atmosférica", afirma Hiroshi Tsunemi, um dos observadores, da Universidade de Osaka.A expansão da atmosfera pode ter implicações na viagem da sonda Huygens. "Se a atmosfera de Titã realmente se expandiu, a trajetória (da sonda) pode ter que ser alterada", disse Tsunemi.

Agencia Estado,

07 de abril de 2004 | 16h24

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