Telescópio descobre gigantesco anel em torno de Saturno

Embora a poeira no anel seja muito fria - com uma temperatura de -193º C - ela brilha com radiação térmica

Associated Press,

07 Outubro 2009 | 08h34

O Telescópio Espacial Spitzer descobriu o maior, mas nunca antes visto, anel em torno do planeta Saturno, anunciou o Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da Nasa na noite de terça-feira, 6.

 

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O tênue arranjo de partículas de gelo e pó fica nos limites do sistema saturnino, e orbita numa inclinação de 27º em relação ao plano dos anéis principais. A porta-voz do JPL, Whitney Clavin, disse que o anel é muito difuso e não reflete muita luz visível, mas que o Spitzer, que detecta luz infravermelha, foi capaz de descobri-lo.

 

Embora a poeira no anel seja muito fria - com uma temperatura de -193º C - ela brilha com radiação térmica.

 

Ninguém tinha olhado nessa direção com um instrumento infravermelho antes, disse Whitney.

A parte mais densa do anel começa a 5,9 milhões de quilômetros do planeta e se estende por mais de 11 milhões de quilômetros.

 

Ilustração feita pelo JPL mostra a amplitude do novo anel, com Saturno ao centro. Divulgação

 

O anel é tão grande que seria necessário 1  bilhão de planetas Terra para preenchê-lo, diz o JPL.

Antes da descoberta, sabia-se que saturno tinha sete anéis principais batizados com as letras de A a E, e diversos anéis tênues e sem nome. Um artigo que descreve o novo anel será publicado na revista Nature.

"Este é um anel danado de grande", disse a astrônoma Anne Verbiscer, uma das autoras do artigo para a Nature.

 

Febe, uma das luas de Saturno, orbita dentro do anel e acredita-se que seja a fonte do material que o compõe.

 

O anel pode também ser a solução para um enigma a respeito de outra lua, Japeto, que tem um lado muito brilhante e outro muito escuro.

 

O anel gira em torno de Saturno na mesma direção de Febe, enquanto que Japeto, os demais anéis e a maioria das demais luas vão na direção oposta. Cientistas especulam que o material do "superanel" bombardeia Japeto.

 

"Astrônomos suspeitam há tempos de uma relação entre Febe e o lado escuro de Japeto", disse Douglas Hamilton, outro dos autores do estudo. "O novo anel é uma evidência dessa relação".

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