NSO/NSF/AURA/Reuters
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Telescópio em antigo vulcão tira imagens superdetalhadas do Sol

Imagens captadas mostram que Sol 'parece uma panela estourando pipocas', desmentindo noção que seria uma suave esfera amarela

Dennis Overbye, The New York Times

30 de janeiro de 2020 | 16h18

Nesta semana, os astrônomos divulgaram o que disseram ser as imagens mais detalhadas já tiradas da superfície do nosso Sol. Como visto através do novíssimo Telescópio Solar Daniel K. Inouye, no Havaí, o Sol parece uma panela estourando pipocas, desmentindo a noção de uma suave esfera amarela. Vistas de longe, as estrelas são gentis precursoras do romance e da misteriosa ordem secreta do universo. De perto, é uma história bem diferente.

Aqui, a 93 milhões de milhas (147.360.000 quilômetros) da estrela mais próxima - a que chamamos de Sol -, as criaturas da Terra ganham a vida à beira de uma violência quase incompreensível. A cada segundo, as reações termonucleares no centro do sol transformam 5 milhões de toneladas de hidrogênio em energia pura. Essa energia abre caminho para o exterior, através do gás fervente repleto de tempestades magnéticas que estalam, rodopiam e atacam o espaço com chuveiros de partículas elétricas e radiação.

Clima espacial é como são chamadas essas precipitações. Na Terra, pode desligar a rede elétrica e tornar os satélites cegos. Um estudo recente de cientistas da Universidade de Warwick, na Inglaterra, concluiu que as “super tempestades” mais poderosas do sol ocorrem uma vez a cada 25 anos.

No espaço sideral, o fluxo do sol pode colocar em risco os astronautas. Além da falta de peso e do tédio, os riscos de radiação do clima espacial são considerados os maiores obstáculos às viagens humanas a Marte e além.

Capturado em detalhes impressionantes, a face do sol é dividida em “núcleos”: estruturas semelhantes a células, cada uma do tamanho do Texas, que transportam calor de dentro do Sol para fora. O gás quente sobe nos centros brilhantes das células, esfria e depois afunda de volta nas faixas escuras que separam as células.

As imagens foram tiradas como parte do teste inicial, conhecido como “primeira luz”, do telescópio Inouye, construído pela National Science Foundation no topo de Haleakala, um antigo vulcão com crateras, sagrado para os havaianos nativos, na ilha. Haleakala significa “casa do sol” em havaiano. Qual o melhor lugar para construir o maior telescópio do mundo dedicado ao sol?

O telescópio recebeu o nome de Daniel Inouye, o senador do Havaí que morreu em 2012 e é creditado por ter ajudado a transformar o estado em uma potência na astronomia. O telescópio tem um espelho primário com cerca de mais de quatro metros de diâmetro.

São necessários mais de 11,2 quilômetros de tubulação subterrânea apenas para se livrar do calor solar que o telescópio coleta e para manter o instrumento refrigerado. O tamanho maior do espelho, favorecido pela ótica adaptativa que reduz o desfoque atmosférico, oferece maior resolução - mais detalhes dos estalos e crepitações na superfície do sol.

De alguma forma, esse processo aquece os gases solares a cerca de 2.700 graus Celsius à medida que eles sobem da superfície. Na coroa que sai da superfície em serpentinas vistas durante eclipses solares, as temperaturas atingem 1 milhão de graus. Como isso acontece?

Juntando-se ao telescópio Inouye neste trabalho de detetive da coroa estão a Parker Solar Probe da NASA, agora orbitando o sol, e o projeto conjunto Orbiter da Agência Espacial Europeia, programado para ser lançado na próxima semana, o que equivale a um novo esforço coordenado para investigar nosso velho e brilhante amigo./Tradução de Claudia Bozzo

 

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