Telescópio europeu Herschel revela descobertas no universo profundo

Informações mudam a compreensão que astrônomos tinham da origem das estrelas e a evolução das galáxias

Efe

06 Maio 2010 | 14h12

Herschel revela o lado oculto de uma estrela em nascimento (Imagem: ESA)

 

BRUXELAS - O telescópio europeu Herschel, o maior já lançado ao espaço, começou a fornecer dados reveladores sobre o universo profundo, que estão mudando a compreensão que os astrônomos tinham até agora da origem das estrelas e a evolução das galáxias.

 

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Engenheiros e cientistas da Agência Espacial Europeia (ESA) apresentaram nesta quinta-feira, 6, em Noordwijk, na Holanda, os primeiros resultados obtidos da análise dos dados enviados pelo telescópio, fruto da cooperação de mais de 20 países europeus.

 

As gêneses de uma estrela "impossível", a descoberta, a distâncias inimagináveis, de vapor de água ionizado - o chamado "quarto estado", ou plasma -, ou a constatação que o ritmo de formação de estrelas arrefeceu são alguns dos resultados debatidos nesta semana em Noordwijk pela comunidade científica e apresentados à imprensa nesta quinta-feira.

 

Formação das estrelas

 

Nestes meses, Herschel revelou milhares de galáxias, e nuvens da Via-Láctea, imersas no processo de formação de estrelas. Uma de suas observações, na nebulosa RCW 120, revelou pela primeira vez em estado embrionário uma estrela "impossível", isto é, um astro com uma massa 8 vezes superior à do Sol, algo que segundo as teorias astrofísicas atuais não ocorria.

 

Os cientistas calcularam que o objeto contém "já" entre 8 e 10 vezes a massa do Sol e que está rodeado do equivalente a 2 mil massas solares de gás e pó que seguirão alimentando-o até transformá-lo, dentro de centenas de milhares de anos, em uma das estrelas maiores e brilhantes da Via-Láctea. Sabia-se da existência desses "monstros", mas nunca se tinha conseguido observar seu estádio inicial. Graças ao Herschel, os astrônomos vão poder investigar onde falham as teorias que não permitem a existência de tais astros.

 

"Conhecer o processo de formação das estrelas mais maciças é fundamental porque são as que controlam, através da gravidade, a dinâmica e as transformações químicas que se produzem dentro da galáxia", explicou a professora Annie Zavagno, do Laboratório de Astrofísica de Marselha.

 

Evolução das galáxias

 

Herschel também está demonstrando que as galáxias evoluíram ao longo do tempo cósmico muito mais rapidamente do que se imaginava. Os dados mostram que no passado nasciam estrelas a um ritmo entre 10 e 15 vezes mais rápido que a Via-Láctea na atualidade.

 

O telescópio espacial europeu se revelou um importante instrumento para a detecção de moléculas no cosmos e revelou uma nova fase de água, o chamado "quarto estado". Nesta fase, a molécula de H2O está carregada eletricamente e, ao contrário das outras três (sólida, líquida e gasosa), não aparece de forma natural na Terra.

 

Nas nuvens que rodeiam as estrelas jovens, onde a luz ultravioleta é bombardeada através do gás, a radiação retira um elétron da molécula de água e a deixa carregada positivamente. "Descobrimos que a água está em todas as partes", afirmou Xander Tielens, da Universidade de Leiden.

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