Nasa/Telescópio James Webb
Nasa/Telescópio James Webb

Telescópio James Webb: Entenda o que significa cada foto divulgada pela Nasa

Conjunto de imagens foi divulgado pela agência americana nesta terça-feira, 12. Cientistas preveem uma nova era de estudos para a astronomia

Leon Ferrari, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2022 | 05h00

O conjunto de imagens divulgado pela agência aeroespacial americana (Nasa) nesta terça-feira, 12, foi recebido com grande entusiasmo pelos cientistas. Astrônomos definiram o cenário como uma nova era para o campo de estudos que investiga a origem do universo. As fotografias revelam ainda a capacidade do telescópio James Webb, que foi lançado ao espaço no fim do ano passado. Assim, muitas novas descobertas podem ocorrer, projetam os especialistas. 

O conjunto de imagens do Webb é composto pelo espectro de um planeta gigante e gasoso e quatro “fotografias” de áreas já registradas pelo telescópio Hubble. Com mais nitidez e profundidade, o JWST revelou como galáxias muito antigas e possíveis “novas” estrelas; além de características antes desconhecidas, como um sistema binário de estrelas da Nebulosa do Anel Sul. 

A seguir, entenda o que significa cada uma das cinco imagens divulgadas pela Nasa. 

Atmosfera úmida WASP-96 b

A primeira imagem divulgada no evento são os dados de espectro da atmosfera de um planeta gigante e gasoso, o WASP-96 b. O espectro da luz permitiu que o telescópio obtivesse informações sobre a composição do exoplaneta que, conforme a Nasa, está a 1.150 anos-luz de distância da Terra. O observatório conseguiu capturar a assinatura distinta da água - ou seja, não há dúvida que seja água -, além de evidências de nuvens e neblina, na atmosfera ao redor do planeta, que orbitava uma estrela parecida com o Sol. O WASP-96 b termina seu ciclo orbital em cerca de 3 dias e meio terrestres.

Ele é extremamente quente e não há nenhum corpo celeste semelhante a ele em nosso sistema solar - ou seja, não tem um análogo direto. O exoplaneta tem diâmetro 1,2 vezes maior do que Júpiter, mas tem metade da massa dele.

Segundo a Nasa, a combinação de tamanho grande, período orbital curto e falta de luz contaminante torna-o um alvo ideal para observações.

Performance da morte de uma estrela

A 2.500 anos-luz de distância, a nebulosa NGC 3132, conhecida como Nebulosa do Anel Sul, também foi alvo do Webb. Nebulosas planetárias são nuvens de gás e poeira expelidas por estrelas que estão morrendo.

Entre as novidades, conta Catarina Aydar, doutoranda em Astronomia do IAG da USP, é que na verdade se trata de um sistema binário. “São duas estrelinhas lá e a gente não tinha definição porque uma ofuscava a outra.”

O binarismo ajuda a entender sobre o comportamento das estrelas. Muitas, explica Catarina, têm uma estrela-irmã e ficam girando uma ao redor da outra. “É muito importante a gente conseguir entender que em um sistema com duas estrelas, mesmo quando uma delas explode numa supernova a outra continua lá”, fala. “Será que ela vai sofrer alterações? Será que não?”

Segundo a Nasa, com esses detalhes do estágio final das estrelas será possível melhor entender como elas evoluem e influenciam o ambiente ao redor.

O quinteto de Stephan

O Quinteto de Stephan - Stephan's Quintet, em inglês - é um agrupamento visual de cinco galáxias que interagem entre si, já famoso, que foi destaque do filme "It's a Wonderful Life". Segundo a Nasa, a imagem que traz nova luz ao grupo, é a maior já feita pelo Webb, com mais de 150 milhões de pixels e compilando quase mil arquivos de imagem separados.

A Nasa destaca que a imagem fornece “novos insights sobre como as interações galácticas podem ter impulsionado a evolução das galáxias no início do Universo”.

Nebulosa de Carina

A Nebulosa da Constelação Carina também ganhou mais definição. A nova imagem permitiu, pela primeira vez, visualizar o processo de “nascimento” de estrelas.

“Com o Hubble, a gente não conseguia ver o que estava dentro da poeira. Com o infravermelho, agora, a gente consegue enxergar através da poeira com essa altíssima definição”, fala Catarina. Com isso, avalia, será possível caracterizar melhor como as estrelas são formadas.

Galáxias SMACS 0723

Na segunda, 11, na presença do presidente Joe Biden, a imagem do aglomerado de galáxias SMACS 0723 foi a primeira do conjunto a chegar ao público. Ela mostra “infinitas” galáxias - inclusive, as mais antigas registradas até hoje.

Catarina explica que a novidade está nessa quantidade de “objetos de fundo” nunca antes vistos. Quanto mais distante estão, mais antigos são. A profundidade, então, nos aproxima da “juventude do Universo”.

 

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