Temendo cortes, Nasa oferece plano barato para retorno à Lua

Plano recicla componentes do ônibus espacial no lugar de criar dois novos modelos de foguete, os Ares I e V

Associated Press,

30 de junho de 2009 | 16h02

Como um vendedor de carros tentando empurrar um modelo de luxo que o cliente não tem mais como pagar, a Nasa está tirando da gaveta uma proposta de um retorno mais barato à Lua.

 

Não será tão potente, e o design é um pouco ultrapassado. Oficialmente, a agência espacial segue firme no plano de 4 anos para gastar US$ 35 bilhões para construir novos foguetes e levar astronautas para Lua nos próximos dez anos.  Mas um alto administrador da Nasa está oferecendo uma alternativa de US$ 6,6 bilhões.

 

A opção barata não é tão potente quanto os foguetes Ares I, para transportar astronautas, e Ares V, para carga, mas o plano econômico ainda é capaz de chegar à Lua.

 

Vídeo da apresentação do conceito do foguete mais barato para levar o homem à Lua

 

O novo modelo pede que os veículos lunares voem em algo de aparência muito familiar - o sistema do ônibus espacial, com seu gigantesco tanque de combustível cor de laranja e dois foguetes de combustível sólido, menos o ônibus propriamente dito. Esse foguete carregaria dois tipos de veículo, um deles um cargueiro, o outro, uma cápsula com astronautas ao estilo Apollo.

 

Esses novos veículos poderiam ir à Lua e à Estação Espacial Internacional (ISS).

 

O que é mais notável é a fonte da ideia: o gerente do programa de ônibus espaciais, John Shannon. Ele a apresentou, recentemente, a um comitê encarregado de revisar os planos de viagens espaciais da Nasa.

Isso mostra que as altas figuras da Nasa, uma agência cheia de engenheiros acostumados a fazer planos de contingência, temem que seu plano favorito para a Lua está em apuros, dizem especialistas.

 

Shannon diz que gosta da arquitetura atual, baseada nos novos modelos Ares. Mas disse, "acho que os números do custo vão nos trazer problemas". Então, ao longo dos últimos três anos, ele e um punhado de outros mexeram com a ideia do ônibus espacial sem ônibus, um conceito que circula pela Nasa há décadas.

 

A equipe de Shannon fez todo o trabalho com autorização da Nasa, e não tem conexão com um outro grupo, que criou uma alternativa não-autorizada e anônima ao Ares, temendo punições.

 

"O que eu estava fazendo não era uma ruptura com a Nasa", disse ele. "Não me importa qual lançador vamos usar, só quero voltar para a Lua".

 

Isso tudo acontece enquanto o novo programa lunar da Nasa, chamado Constellation - bem como todo o programa de voos espaciais tripulados - é duramente criticado por um comitê independente, convocado pelo presidente Barack Obama.

 

A primeira reação do comitê à proposta de Shannon foi positiva. "Ótimo, muito bem feito", disse o presidente do comitê, Norman Augustine, um executivo da indústria aeroespacial.

 

O plano de Shannon usaria a mesma cápsula tripulada Órion projetada para voar com o foguete Ares I. O único veículo totalmente novo seria a nave de carga. Além de reutilizar material  já construído para os foguetes do ônibus espacial, a arquitetura proposta por Shannon também economizaria ao evitar que o Centro Espacial Kennedy tenha de ser reformado para acomodar as novas tecnologias necessárias para lançar o Ares.

 

No lado negativo, o foguete de Shannon - chamado Veículo de Lançamento Pesado Derivado do Ônibus Espacial - só seria capaz de levar dois astronautas a cada viagem, em vez dos três ou quatro previstos no programa original. Isso poderia levar a um encolhimento da base lunar que a Nasa pretende estabelecer.

Tudo o que sabemos sobre:
ônibus espacialnasaórionobama

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.