Terra escuta os primeiros sons de Titã

A Agência Espacial Européia (ESA) apresentou hoje os primeiros sons vindos de Titã, captados durante a descida da sonda Huygens pela atmosfera da maior lua de Saturno. Segundo a agência, o microfone levado pela nave gravou o som por cerca de duas horas e meia, até pouso na superfície do satélite.Ouça os primeiros sons de Titã: 1 - sons reconstruídos em laboratório de gravações feitas durante a descida da sonda que reproduzem o que um passageiro teria escutado durante um minuto da passagem pela atmosfera da lua. » Clique aqui para ouvir o som em formato .mp3 2 - Echo do radar emitido pela sonda durante a operação de aterrisagem na lua. » Clique aqui para ouvir o som em formato .mp3 A gravação foi feita por meio de um aparelho chamado HASI (Huygens Atmospheric Structure Instrument), um dos primeiros a serem acesos, logo após a entrada na sonda na atmosfera de Titã. O principal especialista desse instrumento, Marcello Fulchignoni, apresentou também um segundo tipo de som, formado pelo envio de um sinal e seu retorno, que funciona como uma espécie de radar, com o qual se pode deduzir a altitude, a velocidade de descida, o choque ou a presença de elementos como nuvens em Titã.O diretor de ciência da ESA, David Southwood, informou que a agência espacial européia abriu uma investigação para saber porque falhou um dos dois canais de envio de dados da sonda Huygens à nave-mãe Cassini e assumiu a responsabilidade pelo erro.No entanto, Southwood descartou a importância da falha na missão porque os sistemas são redundantes e mostrou sua fascinação pelo grande êxito da missão Cassini-Huygens, que superou amplamente as expectativas dos cientistas e dos engenheiros que a criaram. O sistema de envio de dados da Huygens à Cassini é redundante, para assegurar sua chegada, e utiliza os canais A e B.Durante a descida da sonda européia pela atmosfera de Titã aconteceu uma falha no canal A que impediu que a Cassini recebesse os dados e pudesse mandá-los posteriormente à Terra.A ESA perdeu as informações do experimento doppler sobre o vento, porque era o único instrumento que não era redundante e só entrava pelo canal A, disse à EFE o diretor do Departamento de Ciência do Espaço da ESA, Alvaro Giménez-Cañete. No entanto, "a ESA recuperará a medida da velocidade do vento na atmosfera de Titã porque também se mede da Terra com telescópios", afirmou Giménez-Cañete.Ao mesmo tempo, a ESA obteve 350 fotografias da atmosfera de Titã e de sua superfície e não as 700 imagens diferentes que poderiam ter sido captadas se os dois canais tivessem funcionado corretamente.Além disso, os cientistas deduzem de algumas das informações obtidas que a atmosfera de Titã tem metano, etano e outros componentes orgânicos que ainda devem ser analisados."Durante a descida da Huygens pela atmosfera de Titã, vê-se um nevoeiro que leva metano, razão pela qual se poderia dizer que há metano na superfície da lua e que ele evapora e ascende", explicou Giménez-Cañete.O principal pesquisador do espectrômetro e da captação das fotografias de Huygens, Marty Tomasko, assegurou que a superfície de Titã tem uma cor alaranjada.Tomasko acrescentou que, de algumas imagens, deduz-se a existência de uma superfície sólida pela qual corre metano ou etano líquido. É impossível a presença de água líquida em Titã porque a temperatura desta lua é de menos de 180 graus centígrados. No entanto, não se descarta a existência de água congelada.Por sua vez, Giménez Cañete, disse que "se tem a sensação de que a sonda aterrissou em areia molhada, em uma superfície formada por uma cortiça mais dura sob a qual há algo mais suave". Southwood insistiu que é preciso esperar para poder interpretar todos os dados que hoje foram recopilados pela sonda Huygens.O objetivo primordial da Huygens era analisar a composição da atmosfera de Titã durante sua descida mas, além disso, a sonda conseguiu sobreviver ao impacto depois de cair sobre a superfície desta lua e mediu também suas características e tirou fotografias, algo que os cientistas não esperavam. A missão espacial Cassini-Huygens é um projeto conjunto da Agência Espacial Americana (Nasa), da ESA e da Agência Espacial Italiana (ISA).

Agencia Estado,

15 de janeiro de 2005 | 12h01

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