Tesouros brasileiros da Humanidade

De todas as paisagens exuberantes e localidades históricas do Brasil, 17 são reconhecidas como Patrimônio da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco). O que significa que elas devem ser preservadas não apenas para os brasileiros, mas para todos os povos. São locais de grande riqueza biológica como o Parque Nacional do Jaú, praticamente intocado pelo homem, no coração da Amazônia, ou de valor histórico-cultural, como o Plano Piloto de Brasília, capital do Brasil e marco mundial da arquitetura e do urbanismo no século 20.Parte desse patrimônio está em centro urbanos e pólos turísticos, como os centros históricos de Salvador e Olinda, ou o Parque Nacional do Iguaçu. Outros ficam mais isolados. É o caso do Parque Nacional Serra da Capivara, na caatinga do Piauí, um dos sítios arqueológicos mais importantes do mundo com 30 mil pinturas rupestres. Seja qual for o local, o pesquisador paulista Percival Tirapeli quer que brasileiros e estrangeiros conheçam melhor a história de cada um deles. Ele reuniu pela primeira vez em um livro, com textos em inglês e português, a história de todos os Patrimônios da Humanidade no Brasil (Metalivros, 2001)."O livro dá o nexo que o próprio território nacional, pela sua extensão, não dá. É tudo muito grande, muito espalhado", diz Tirapeli, professor especialista em barroco do Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista (Unesp), artista plástico e andarilho de 49 anos, que percorre o País desde os 16. "O grande mérito do livro é unir esse tudo e expor o caudal da nossa cultura e o esplendor da nossa natureza." Em sua segunda edição, com 300 páginas e 256 fotos, a publicação apresenta os sítios de forma completa, do ponto de vista histórico, cultural e científico.A lista inclui ainda a Costa do Descobrimento, no sul da Bahia, que abriga espécies como o gavião-pega-macaco; as reservas de mata atlântica do Sudeste; o complexo de áreas protegidas do Pantanal; o centro histórico de São Luís; as ruínas jesuítico-guaranis de São Miguel das Missões (RS); a cidade histórica de Ouro Preto, o centro histórico de Diamantina e o Santuário de Bom Jesus de Matozinhos, todos em Minas Gerais. Tirapeli visitou e pesquisou cada local, com exceção do Parque Nacional do Jaú, do qual recebeu relatos de um ex-funcionário do governo que já esteve lá a trabalho.Outros três sítios de Patrimônio da Humanidade foram aprovados pela Unesco em dezembro de 2001 e serão apresentados na próxima edição do livro: os complexos naturais de Fernando de Noronha e Atol da Rocas, Chapada dos Veadeiros e Parque Nacional das Emas, e o centro histórico da cidade de Goiás. Esse último é exemplo de como a classificação pode beneficiar a preservação do patrimônio. Depois que foi atingida por fortes chuvas e inundações em janeiro, menos de um mês após ser reconhecida pela Unesco, a cidade recebeu US$ 50 mil da organização para os trabalhos de restauro.O livro original custa R$ 120 e uma versão reduzida, R$ 49.Veja galeria de imagens

Agencia Estado,

17 de março de 2002 | 01h46

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.