Clinimex / Divulgação
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Teste de ficar numa perna só indica se uma pessoa corre maior risco de morte, diz estudo

Em pesquisa liderada por cientistas brasileiros, falta de equilíbrio aponta risco de morte quatro vezes maior

Gonçalo Junior, O Estado de S. Paulo

22 de junho de 2022 | 10h33

Conseguir se equilibrar em uma perna só pode ser um indicador de vida mais longa. Pessoas acima de 50 anos que não conseguem se manter assim, por pelo menos 10 segundos, podem ter um risco de morte em até sete anos quatro vezes maior do que aqueles que mantêm o equilíbrio. Você está nessa faixa etária e ficou curioso? Pode fazer o teste. Dá para fazê-lo em casa e não custa nada, mas é importante ter um apoio em caso de desequilíbrio. 

A conclusão é de um estudo publicado no British Journal of Sports Medicine (BJSM), um dos periódicos mais importantes do mundo, nesta terça-feira, 21, e que contou com a participação importante de pesquisadores brasileiros. A pesquisa analisou 1.702 pessoas entre 51 e 75 anos entre 2009 e 2020. O objetivo foi buscar relações entre testes de aptidão física e problemas de saúde e morte.

O teste é bem simples. Basta se manter numa perna, com o pé levemente erguido por trás da outra, por dez segundos, sem apoio. Os braços devem ficar junto ao corpo. O estudo aponta que não conseguir se manter em equilíbrio nessa posição indica um risco de morte maior do que ser cardíaco ou hipertenso, por exemplo, como explica o autor principal do estudo, o médico Claudio Gil Soares de Araújo. Isso vale para qualquer idade e gênero.

“É um risco muito maior do que ter diagnóstico de doença coronariana, ser obeso, hipertenso ou ser dislipidêmico", diz o especialista que é diretor de pesquisa e educação da Clinimex (Clínica de Medicina do Exercício). 

O estudo mostra que, a partir dos 50 anos, a incapacidade de ficar em uma perna por dez segundos está relacionada a uma chance de 3,8 vezes de maior risco de morte. Os dados apontaram 17,5% no grupo que não completou o teste e 4,6% entre os que completaram. Isoladas outras variáveis como a composição corporal, o risco é de 1,84. Claudio Araújo afirma que, ainda assim, o número é maior que o risco de morte trazido pela hipertensão (1.2) e obesidade (1.3). 

Os resultados são tão claros que os pesquisadores recomendam a inclusão do testes do equilíbrio nos exames rotineiros de idosos. O teste foi incorporado ao protocolo de avaliação na Clinimex em 2008. A partir daí foram avaliadas mais de 4 mil pessoas de seis a 102 anos de idade. "É prioridade que o médico avalie também a capacidade de ficar em uma perna só, além da pressão arterial, por exemplo",  diz o especialista. 

Dificuldade de se equilibrar aumenta com a idade

Até os 50 anos, a maioria das pessoas consegue se equilibrar com facilidade. A partir dessa idade, a habilidade começa a se perder. A partir dos 70 anos, mais de metade das pessoas não consegue se equilibrar direito. Ao todo, 1 em cada 5 dos participantes do estudo não passou no teste. A incapacidade aumentou com a idade. Além do risco de queda, a perda de equilíbrio já foi associada por outras pesquisas a risco aumentado de derrame e demência.

Pesquisadores sugerem que pessoas com problemas de equilíbrio estão mais sujeitas a quedas. As fraturas por quedas respondem por cerca de 70% das mortes acidentais em pessoas com mais de 75 anos.

A limitação, no entanto, pode ser revertida. Claudio recomenda que exercícios diários, como o próprio ato de se equilibrar numa perna em séries de dez segundos ou escovar os dentes com uma perna levantada, podem ajudar a manter o equilíbrio. Mas o especialista alerta para a necessidade de um suporte ou alguém por perto em caso de desequilíbrio. "Essa habilidade tem de ser treinada assim como treinamos a parte aeróbia, a força muscular e a flexibilidade", recomenda Claudio. 

Os pesquisadores afirmam que o estudo tem algumas limitações. Os participantes eram todos brasileiros brancos, o que dificulta a aplicação das conclusões para outras etnias e localidades. Além disso, fatores que podem influenciar na dificuldade de equilíbrio, como histórico de quedas e nível de atividade física, não foram considerados na pesquisa. 

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