Teste poderá indicar a origem de cânceres misteriosos

Um novo teste que analisa materialgenético pode mostrar aos médicos a origem de alguns cânceresmisteriosos e talvez ajudar a encontrar um atalho para otratamento, disseram neste domingo pesquisadores israelenses. A empresa Rosetta Genomics, com sede em Israel, informouque seu teste, ainda não concluído, usa microRNAs, um tipo dematerial genético que regula gens e, pelo que já se sabe, temrelação com o câncer. Pesquisadores da empresa usaram os microRNAs paraidentificar tumores que se haviam espalhado pelo corpo defontes desconhecidas -- um tipo conhecido como "câncer deorigem desconhecida" ou CUP, na sigla em inglês. Na maioria, os cânceres recebem uma denominação de acordocom o lugar em que primeiro se desenvolvem -- como o câncer demama ou de pulmão. Mesmo que eles se espalhem para o fígado,cérebro ou ossos, ainda assim são identificados por sua origem. "Mas há um grupo de pacientes que têm tumores que aparecemem uma localização metastásica. E mesmo com as melhoresimagens, não se pode identificar o tumor inicial", disse omédico Martin Raber, do M.D. Anderson Cancer Center, daUniversidade do Texas, em Houston. O CUP representa de 2 a 5 por cento dos cânceresdiagnosticados anualmente nos Estados Unidos, de acordo com aSociedade Americana de Clínica Oncológica. Ser capaz de identificar a origem primária de um câncer éfator-chave para o tratamento, disse Raber. "Hoje nós temos quimioterapias específicas. Temos terapiaspara câncer de cólon que não parecem funcionar em outrostipos", afirmou Raber, em uma entrevista por telefone. "Não sepode mais planejar um regime que abranja todos os tumores." Um único remédio não pode nem mesmo ser usado para tratartodos os tipos de câncer de mama ou de câncer de pulmão, emboramuitas drogas sejam adequadas para vários tipos de câncer. "A Rosetta Genomics está atualmente desenvolvendo umatecnologia que será a base para um teste de diagnóstico doCUP", informou a empresa em um comunicado. O teste seráencaminhado no final deste ano à aprovação da U.S. Food andDrug Administration, o órgão dos Estados Unidos que regulamentanovos medicamentos.

MAGGIE FOX, REUTERS

23 de março de 2008 | 16h50

Tudo o que sabemos sobre:
CIENCIACANCERPESQUISA

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.