Testosterona dos corretores afeta o mercado, diz estudo

Foram recrutados 17 corretores, todos do sexo masculino, que tiveram amostras de saliva recolhidas

Carlos Orsi, do estadao.com.br,

14 de abril de 2008 | 17h59

Corretores do mercado financeiro londrino lucram mais quando acordam com níveis altos do hormônio sexual masculino, a testosterona, no sangue, mostra um estudo realizado por pesquisadores britânicos e descrido em artigo que será publicado ao longo desta semana na versão online do periódico Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS). O mesmo estudo mostrou que os níveis de outro hormônio, o cortisol - ligado ao estresse - sobem em resposta a situações de alta volatilidade no mercado.   Imagens sensuais 'estimulam homens a arriscar mais dinheiro'   Para o estudo, foram recrutados 17 corretores, todos do sexo masculino, que tiveram amostras de saliva recolhidas duas vezes ao dia, às 11h da manhã e às 16h, ao longo de oito dias. A análise dos dados constatou não só que o nível médio de testosterona ao longo de um dia de lucros altos era maior, mas que em dias onde a testosterona, medida pela manhã, estava acima da média, os lucros obtidos mais tarde também eram maiores.   Entre os efeitos da testosterona está um aumento na agressividade e na autoconfiança, e os autores do trabalho especulam que os corretores que chegavam ao trabalho com altos níveis do hormônio tenderiam a correr mais riscos. "Esses são bons corretores", explica John M. Coates, da Universidade Cambrigde, um dos autores do trabalho. "Sobrevivem num ambiente muito competitivo. Quando estão dispostos a correr mais riscos, tendem a correr os riscos certos".   Já o hormônio do estresse, o cortisol, parece ser estimulado mais por incertezas no mercado do que por perdas concretas. A estatística comparando dias de prejuízo com taxas de cortisol não revelou uma correlação significativa, mas uma comparação entre a volatilidade do mercado - medida por meio da diferença entre as perdas e ganhos de cada corretor em relação à média - revelou uma ligação.   Entre os efeitos do cortisol estão um enfraquecimento do sistema imunológico e alterações de humor e comportamento para lidar com ameaças.   Com base nesses resultados, os autores do trabalho levantam a possibilidade de essas variações hormonais poderem ajudar a explicar o surgimento e o estouro de bolhas de mercado. "O cortisol tente a se elevar num crash e, ao estimular a aversão a risco, a exagerar o movimento de queda", diz o artigo escrito para a PNAS.   "Testosterona, por outro lado, provavelmente eleva-se numa bolha e, ao intensificar a aceitação de risco, leva a exagerar a alta". Feedbacks envolvendo esses hormônios, dizem os pesquisadores, poderiam ajudar a explicar por que pessoas envolvidas em bolhas e quebras "freqüentemente acham difícil tomar decisões racionais".   Mas, e as mulheres? O organismo feminino, afinal, produz menos testosterona que o dos homens. "Eu adoraria ter incluído mulheres no estudo, mas não encontramos um número suficiente de corretoras para conseguir validade estatística", disse Coates.   O pesquisador, no entanto, faz uma aposta: corretoras são mais capazes de manter a cabeça no lugar em meio a uma bolha de mercado que os homens.

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