Texto narra ressurreição de messias antes de Cristo, diz estudo

Tabuleta do primeiro século a.C já conteria um relato de ressurreição semelhante ao do Novo Testamento

EFE,

08 de julho de 2008 | 15h32

Uma nova interpretação de uma tabuleta de pedra milenar, que contém o texto conhecido como "Apocalipse de Gabriel", reduz a distância entre cristianismo e judaísmo, ao sugerir que a idéia da ressurreição de um messias três dias após sua morte é de origem judaica e já era conhecida antes dos tempos de Jesus.   A tabuleta contém 87 linhas de texto que descreve uma visão apocalíptica escrita no século I a.C. A existência da narrativa é conhecida há oito anos, e  o texto está muito deteriorado. Mas o pesquisador  Israel Knohl, da Universidade Hebraica de Jerusalém, acredita ter decifrado uma palavra fundamental da linha 80, que outros estudiosos vinham considerando ilegível.   De acordo com Knohl, que apresentou suas conclusões em uma conferência internacional sobre os Manuscritos do Mar Morto, trata-se de uma palavra hebraica arcaica que significa "vive", forma imperativa do verbo "viver".   A palavra dá um novo sentido ao texto, que passa a descrever o arcanjo Gabriel trazendo um líder religioso de volta à vida três dias após a morte. O messias é descrito co texto como o "ministro dos ministros".   O relato guarda uma semelhança surpreendente com a ressurreição de Jesus tal como narrada no Novo Testamento, que foi escrito muito depois.   A tabuleta parece ter sido escrita pouco antes do nascimento de Jesus, e se a interpretação de Knohl estiver correta, ele poderia ter resgatado idéias de profecias anteriores para consolidar sua doutrina.   "Pesquisadores sustentavam que escribas posteriores teriam colocado a profecia (de morte e ressurreição) na boca de Jesus, depois da crucificação. Mas a possibilidade de a tradição existir anteriormente indica que Jesus foi influenciado por essas idéias", disse o pesquisador, que afirma que não pretende "polemizar com nenhuma religião".   Já o curador dos Manuscritos do Mar Morto, Adolfo Roitman, a proposta de Knohl parece "muito criativa, talvez até ousada", ao identificar a palavra-chave do texto.

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