Tomar sol é mais benéfico que arriscado, diz estudo

A luz solar estimula o organismo a produzir a vitamina D, mas o medo do câncer mantém muita gente na sombra

MICHAEL KAHN, REUTERS

07 de janeiro de 2008 | 21h58

Um pouco mais de exposição ao sol podeprolongar a vida, segundo um estudo publicado na segunda-feira,sugerindo que para algumas pessoas os benefícios do sol superamo risco de câncer de pele. A luz solar estimula o organismo a produzir a vitamina D,mas o medo do câncer de pele está fazendo muita gente preferira sombra, privando-se de uma importante proteção contra váriasdoenças, segundo os pesquisadores. "O risco de câncer de pele está aí, mas os benefícios paraa saúde resultantes de alguma exposição solar são bem maioresque o risco", disse Johan Moan, do Instituto para a Pesquisa doCâncer em Oslo, responsável pelo estudo. "O que descobrimos éque uma modesta exposição ao sol dá enormes benefícios emtermos de vitamina D." Vários estudos já haviam apontado os efeitos protetores davitamina D em abundância contra alguns tipos de câncer e outrasdoenças, como raquitismo, osteoporose e diabete, segundo Moan.Certos alimentos contêm vitamina D, mas a principal fonte parao organismo é mesmo a luz solar. Os pesquisadores calcularam que, passando o mesmo tempo aoar livre, as pessoas que vivem próximas do Equador (no caso, naAustrália) produziam 3,4 vezes mais vitamina D do que aspessoas na Grã-Bretanha e 4,8 vezes mais que os escandinavos. Isso significa que, embora cresça no mundo todo aincidência de tumores internos, como os de cólon, pulmão, mamae próstata, as pessoas que vivem em latitudes ensolaradas têmmenos propensão a morrer dessas doenças, segundo ospesquisadores. "Os dados atuais fornecem mais uma indicação do papelbenéfico da vitamina D induzida pelo sol para o prognóstico decâncer", disse Richard Setlow, do Laboratório NacionalBrookhave, ligado ao Departamento de Energia dos EUA, quetambém participou do estudo. Ter mais vitamina D --que ajuda o funcionamento do sistemaimunológico-- é importante também para pessoas que vivem emlugares como a Escandinávia, onde os invernos longos, com diascurtíssimos, limitam a exposição ao sol em determinadas épocas,segundo Moan. Ele estima que, na Noruega, o número anual de mortes porcâncer de pele saltaria de 150 para 300 caso a população emgeral passasse o dobro do tempo ao sol. Por outro lado, haveria3.000 mortes a menos por causa de outros tipos de câncer. "Os benefícios podem ser significativos para pessoas emoutros países também", disse ele por telefone. "Eu ficariasurpreso se fossem diferentes." O recomendável, segundo ele, é ficar exposto ao soldiariamente por metade do tempo necessário para que hajaqueimadura. Outra forma de ampliar o fornecimento de vitamina D,segundo os pesquisadores, seria desenvolver protetores solaresque só bloqueassem os raios ultravioletas de comprimento longo,que provocam as formas mais letais de câncer de pele, mas quepermitissem a passagem dos raios UV de comprimento mais curto,que produzem a vitamina. O estudo foi publicado na revista Proceedings, da AcademiaNacional de Ciências dos EUA. (Por Michael Kahn)

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