Transgênicos são bons mas ajudam poucos, diz FAO

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) publicou um posicionamento oficial sobre a biotecnologia e os alimentos transgênicos. Segundo a agência, não há indício até agora de que as plantações geneticamente modificadas tragam qualquer efeito nocivo para a saúde ou para o meio ambiente.As variedades transgênicas, diz o relatório, têm beneficiado pequenos agricultores e consumidores em alguns países, mas ainda é preciso expandir a biotecnologia para culturas menores, além das atuais commodities de multinacionais.O maior problema com a transgenia, segundo a FAO, é que ela até agora beneficiou apenas produtos do grande agronegócio."A FAO acredita que a biotecnologia, incluindo a engenharia genética, pode beneficiar os pobres, mas esses ganhos não estão garantidos", disse o diretor-geral assistente do departamento econômico e social da entidade, Hartwig de Haen. "A comunidade internacional precisa agir decisivamente para garantir que essa tecnologia seja acessível e útil para os pobres."Para o diretor-geral da FAO, Jacques Diouf, nem o setor privado nem o público têm investido o suficiente em culturas básicas como mandioca e sorgo, ou mesmo arroz, trigo e batata.A entidade nota que apenas seis países (Argentina, Brasil, Canadá, China, África do Sul e Estados Unidos), quatro culturas (milho, soja, canola e algodão) e duas características (resistência a insetos e resistência a herbicidas) respondem por 99% da área global plantada com transgênicos atualmente.O relatório O Estado dos Alimentos e Agricultura 2003-2004, de 200 páginas, foi divulgado nesta segunda-feira em Washington e Roma. Apesar das cobranças, o documento coloca a FAO definitivamente no lado favorável aos transgênicos, rejeitando explicitamente o posicionamento de grupos ambientais que exigem a proibição da tecnologia.

Agencia Estado,

17 de maio de 2004 | 18h28

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