Tratamento de câncer infantil facilita futuras doenças

Duas entre três crianças que vencem o câncer tendem a desenvolver algum outro problema de saúde ao longo dos anos seguintes, desde cardiopatias até cegueira, por causa da radiação e outros tratamentos a que são submetidas na infância.Pesquisadores da Universidade do Texas, em Dallas, estudaram 10.397 pessoas, em todas as regiões dos Estados Unidos, que haviam sido tratadas de câncer entre 1970 e 1986. Na idade de 45 anos, os antigos pacientes de tinham de duas a seis vezes mais chances de sofrer doenças crônicas do que seus irmãos que não haviam tido câncer.A radiação, segundo os cientistas, foi responsável pela maior parte dos danos, já que as doses eram muito mais elevadas naquela época. As drogas usadas na quimioterapia também tiveram peso nestes desdobramentos. Algumas, como a adriamicina, usada contra câncer de mama, é reconhecidamente uma causadora de problemas cardíacos.Entre os outros exemplos de doenças estão graves deficiências renais, que requereram hemodiálise e transplantes, infertilidade, debilidade mental, paralisias, coágulos sanguíneos, problemas pulmonares e até outros tipos de câncer.Apesar de os novos tratamentos de câncer terem sido aperfeiçoados, os especialistas consideram que a constatação é um alerta importante para os médicos. "Estivemos sempre concentrados demais naqueles cinco ou dez anos de sobrevida (dos pacientes) e não prestamos atenção ao impacto causado pelos nossos tratamentos", comentou Len Lichtenfeld, vice-diretor médico da Sociedade Americana de Câncer.A sobrevida ao câncer nunca foi tão alta: três em cada quatro crianças estão sendo curadas atualmente, contra uma taxa de 58% em 1975. "Mas as pessoas estão pagando um alto e inaceitável preço por isso", afirmou Harmon Eyre, diretor-médico da sociedade.

Agencia Estado,

17 de maio de 2005 | 12h41

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