Tratamento pode aumentar longevidade de humanos

Cientistas espanhóis comprovaram que os ratos testados tiveram um aumento de 80% na longevidade

EFE

29 de junho de 2008 | 15h15

Um tratamento elaborado por pesquisadores espanhóis em ratos com envelhecimento precoce ou progeria, que terá aplicação imediata em humanos, demonstrou um aumento da longevidade de 80%, o que foi considerado "um marco" científico, segundo especialistas.     A aplicação imediata do tratamento em humanos é possível pela experiência no uso dos medicamentos incluídos, e que têm poucos efeitos colaterais, explicou o professor de Bioquímica e Biologia Molecular da Universidade de Oviedo, Carlos López-Otín. O cientista é responsável pelo trabalho, publicado na edição digital da revista "Nature Medicine".   A progeria é uma síndrome "muito pouco freqüente, mas devastadora e terrível", segundo López-Otín, que adverte de que a expectativa de vida dos pacientes que sofrem de sua forma mais comum, a síndrome de Hutchinson-Gilford, é de menos de 20 anos.   As síndromes de envelhecimento precoce são doenças congênitas caracterizadas pela aparição prematura de sintomas normalmente associados a idades avançadas, como osteoporose, perda de gordura subcutânea e de cabelo e problemas cardiovasculares, entre outros.   Os resultados do tratamento descrito pelos cientistas confirmaram uma melhora do estado geral dos ratos, que recuperam peso e aumentam de forma significativa a longevidade média em todos os experimentos realizados.   Os pesquisadores das Universidades de Oviedo e de Marselha (França) descreveram uma estratégia farmacológica baseada em uma combinação de remédios já utilizados em clínica para o tratamento de processos oncológicos e doenças cardiovasculares.   O tratamento consistiu basicamente na administração periódica de uma estatina (remédios utilizados para controlar os níveis de colesterol) e aminobifosfonatos (medicamentos para o tratamento da osteoporose e de alguns processos tumorais).   O experimento pode ser aplicado em humanos, porque existe "uma ampla experiência na utilização destes dois tipos de remédios, que apresentam ainda poucos efeitos colaterais", disse López-Otín.   É iminente o início de um teste clínico baseado nestas experiências que será dirigido pelo médico Nicolás Levy, na França, com a participação de pacientes europeus afetados por estas raras e devastadoras doenças, para as quais, até agora, não havia tratamento.   Além de melhorar a vida dos pacientes, o tratamento descrito é interessante do ponto de vista biológico, porque pode proporcionar dados sobre os mecanismos responsáveis pelo envelhecimento normal e das ligações com outros processos, como o câncer.

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