Trauma de guerra deixa seqüelas físicas

Soldados que sofrem traumas psicológicos ao lutar em uma guerra também têm uma saúde física mais precária anos depois, sugeriram vários estudos analisados na edição da revista New Scientist, publicada nesta semana.As pessoas com estresse pós-traumático (PTSD) têm maior probabilidade de desenvolver doenças cardíacas e câncer do que outros veteranos de guerra, de acordo com o artigo.Ainda não há uma explicação clara para isso, mas especialistas dizem que a causa pode ser o nível do hormônio do estresse.Entre os estudos analisados pela New Scientist está um feito com mais de 18 mil soldados que serviram na Guerra do Vietnã.A pesquisa mais recente sobre o tema, publicada em Annals of Epidemiology, voltou a analisar dados recolhidos originalmente pelos Centros de Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos em 1985.Joseph Boscarino e sua equipe da New York Academy of Medicine dividiram os 18 mil veteranos entre os que sofriam de PTSD e os que não tinham o problema. Eles descobriram haver uma grande diferença na taxa de mortalidade dos dois grupos mesmo décadas depois do fim da Guerra do Vietnã.Os pacientes com PTSD, tanto os que participaram de combates quanto os outros, tinham maior probabilidade de morrer em virtude de acidentes, uso de drogas ou suicídio.Mas os que desenvolveram PTSD como resultado de estresse de guerra também tinham maior probabilidade de morrer de doenças cardíacas e vários tipos de câncer.Risco de morteUm relatório publicado recentemente no Social Sience and Medicine mostrou que veteranos israelenses com PTSD, depois de combates no Líbano em 1982, tinham uma probabilidade duas vezes maior de ter pressão alta, úlceras e diabete e cinco vezes maior de ter doenças cardíacas e dores de cabeça do que aqueles que não desenvolveram PTSD.Os autores do estudo disseram que PTSD promove um processo que leva do trauma a uma deterioração da saúde física.Boscarino disse que a alta mortalidade encontrada pode estar relacionada a fatores biológicos, psicológicos ou comportamentais ligados ao PTSD.Pesquisas sugerem que ansiedade e depressão podem ter um impacto negativo sobre o organismo, tornando o coração mais vulnerável a batimentos irregulares e aumentando o risco de formação de coágulos sanguíneos.Veteranos de guerra estressados podem ainda ter maior probabilidade de ter um estilo de vida menos salutar, fumando e consumindo bebidas alcoólicas em excesso, o que pode levar a uma deterioração da saúde física.No estudo de Boscarino, diferenças nos hábitos de fumar não explicam a disparidade na mortalidade por câncer entre aqueles que sofriam e os que não sofriam de PTSD.Shaun Rusling, vice-presidente da Associação Nacional Beneficente para Veteranos da Guerra do Golfo e Famílias, disse que a exposição a agentes biológicos durante a guerra pode ser também um fator."Militares que estiveram em zonas de combate devem ter sua saúde avaliada a vida toda", disse ele, acrescentando que isso não ocorre no momento.

Agencia Estado,

25 de agosto de 2005 | 09h29

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