Treino pode melhorar a inteligência diante de problemas novos

Cientistas acreditavam que esse tipo de capacidade mental era fixada no nascimento e não podia ser treinada

The New York Times,

30 de abril de 2008 | 17h04

Um novo estudo descobriu que pode ser possível treinar pessoas para serem mais inteligentes, aumentar o poder cerebral com o qual elas nasceram.   Até então, aceitava-se o conceito de que o tipo de habilidade mental que nos permite resolver novos problemas sem nenhuma experiência prévia relevante - o que os psicólogos chamam de inteligência fluida - é inata e não pode ser ensinada (embora as pessoas possam aumentar suas notas nos testes, praticando).   Mas em um novo estudo, pesquisadores descrevem um método de melhorar essa habilidade, junto com experimentos para provar que ele funciona.   A chave, os pesquisadores descobriram, era treinamento estruturado cuidadosamente na memória recente - o tipo que permite a memorização de um número de telefone pelo tempo suficiente para discá-lo. Esse tipo de memória está fortemente relacionado à inteligência fluida, de acordo com informações do artigo, e parece contar com o mesmo circuito cerebral. Então, os pesquisadores chegaram à conclusão de que melhorá-la podia levar a melhoras na inteligência fluida.   Primeiro, eles mediram a inteligência fluida de quatro grupos de voluntários usando testes padrão. Então, treinaram cada um com um complicado teste de memória, uma variação elaborada de Concentration, o jogo de cartas infantil, no qual os voluntários memorizaram simultaneamente estímulos visuais e auditivos que tiveram que lembrar depois.   O jogo foi feito de maneira que, quanto mais os participantes tinham sucesso, mais difícil ele ficava, e se eles falhavam, as tarefas se tornavam mais fáceis. Isso garantiu um nível alto de dificuldade, ajustado individualmente para cada participante, mas não tão alto que destruísse a motivação dos voluntários para continuar jogando.   Os quatro grupos passaram por meia hora de treinamento diário durante 8, 12, 17 e 19 dias, respectivamente.   No fim de cada treinamento, os pesquisadores testaram a inteligência fluida dos participantes novamente. Para garantir que eles não estivessem simplesmente melhores em fazer testes, os pesquisadores compararam os resultados com grupos de controle que fizeram os testes sem treinamento.   Os resultados, publicados na segunda na revista Proceedings of National Academy os Sciences, foram surpreendentes. Embora os grupos de controle também tivesse tido melhoras nos testes, presumivelmente por causa da prática com testes de inteligência fluida, a melhora no grupo que sofreu treinamento foi substancialmente melhor. Mais do que isso: quanto mais eles treinavam, melhores eram os resultados. Todos os participantes, do mais fraco ao mais forte, mostraram melhora significativa. "A inteligência sempre foi considerado um traço imutável", disse Susanne M. Jaeggi, que fez pós-doutorado em psicologia na Universidade de Michigan e co-autora do artigo.   "Nossos resultados mostram que você pode melhorar sua inteligência com treinamento apropriado." Por que o treinamento funcionou? Os autores sugerem diversos aspectos do exercício que são relevantes para resolver novos problemas: ignorar itens irrelevantes, monitorar a performance em curso, lidar com duas tarefas simultaneamente e conectar itens relacionados entre si no espaço e no tempo.   Ninguém sabe por quanto tempo os ganhos vão durar depois que o treinamento parar, disse Jaeggi, e a maneira como o experimento foi projetado não permitiu aos pesquisadores determinar se mais treinamento continuaria a produzir mais ganhos.

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