Justin Tallis/AFP, Mary Schwalm/AP e Max Englund/EFE
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Nobel de Química vai para estudos sobre reparação de DNA

Tomas Lindahl, Paul Modrich e Aziz Sancar recebem prêmio por mapear mecanismo que impede que código genético se degenere

Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

07 Outubro 2015 | 07h01

Atualizado às 14h25

ESTOCOLMO - O Prêmio Nobel da Química de 2015 foi dividido entre o sueco Tomas Lindahl, o americano Paul Modrich e o turco Aziz Sancar. Os três cientistas, que estudaram a "caixa de ferramentas das células", de acordo com o júri, serão recompensados por seus estudos sobre a reparação do DNA danificado.

"Seus estudos mapearam, em nível molecular, como as células reparam o DNA danificado e protegem a informação genética. Seus trabalhos forneceram conhecimento fundamental sobre como uma célula viva funciona e são aplicados, entre outras coisas, no desenvolvimento de novos tratamentos contra o câncer", disse um comunicado do comitê do Nobel. O anúncio dos vencedores foi feito nesta quarta-feira, 7, na sede do Instituto Karolinska, na Suécia.

Um comunicado da Academia sueca explica que diariamente o DNA humano é danificado por radiação ultravioleta, por radicais livres e por outras substâncias cancerígenas - e, mesmo sem esses ataques externos, uma molécula de DNA possui uma instabilidade inerente. 

"Milhares de modificações espontâneas ocorrem diariamente no genoma de uma célula. Além disso, defeitos celulares podem aparecer quando o DNA é copiado durante a divisão celular - um processo realizado várias milhões de vezes todos os dias no corpo humano", diz a academia.

Sendo assim, a explicação para que o material genético não se desintegre em um "caos químico completo" é que o sistema molecular continuamente monitora e repara o DNA. "O Prêmio Nobel da Química 2015 recompensa três cientistas pioneiros que mapearam como funcionam diversos desses sistemas de reparo, em nível molecular detalhado", declarou o júri.

Os três laureados não trabalharam em conjunto. Sancar cartografou o mecanismo pelo qual as células reparam os danos causados no DNA pelos raios ultravioleta. Lindahl pesquisou sobre um mecanismo de reparo chamado de excisão de base de DNA. Modrich mostrou como as células corrigem  os erros produzidos quando o DNA é replicado durante a divisão celular.

Nascido em Estocolmo em 1938, Lindahl atua no Instituto Francis Crick, em Hertfordshire, no Reino Unido. Ele é membro da Academia Real, responsável pela premiação, mas o júri sueco destacou durante a cerimônia que "Lindahl não participou do processo de indicações desta edição" e que "não é a primeira vez que um membro da Academia é premiado, mas isso é muito raro".

Na década de 1970, os cientistas acreditavam que o DNA era uma molécula extremamente estável, mas os trabalhos de Lindahl demonstraram que o DNA decai em uma taxa que deveria tornar o desenvolvimento da vida impossível. Essa constatação o levou a descobrir um mecanismo molecular - o reparo por excisão de base - que constantemente detém o colapso do DNA.

Nascido em 1946, Modrich trabalha no Instituto Médico Howard Hughes, em Durham, nos Estados Unidos. Ele é o 73º americano a receber o Prêmio Nobel da Química. 

Modrich demonstrou como as células corrigem os erros que ocorrem no DNA durante a divisão celular - um mecanismo conhecido como "reparo de pareamentos errados", que reduz a em cerca de mil vezes a frequência dos erros durante a replicação do DNA. Defeitos congênitos derivados dos pareamentos errados incluem, por exemplo, variantes hereditárias do câncer de cólon. 

Sancar, nascido em 1946 na Turquia, trabalha na Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, e é o primeiro turco a receber o prêmio. Ele mapeou o "reparo por excisão de nucleotídeos", um mecanismo que a célula utiliza para consertar danos causados pelos raios ultravioleta no DNA.

Pessoas nascidas com defeitos nesse sistema de raparo desenvolvem câncer de pele quando são expostas à luz do Sol. A célula também utiliza o reparo por excisão de nucleotídeos para corigir defeitos causados por substâncias mutagênicas, entre outras coisas.

Nobel 2015. A temporada do Prêmio Nobel 2015 foi aberta na segunda-feira, com a atribuição do prêmio de Fisiologia ou Medicina a três pesquisadores: o americano William Campbell, o japonês Satoshi Omura e a chinesa Tu Youyou, por descobertas de tratamentos contra infecções parasitárias e malária. 

Nesta terça, o prêmio de Física foi concedido ao japonês Takaaki Kajita e ao canadense Arthur McDonald, por suas contribuições aos experimentos que demonstram a capacidade de uma partícula elementar - o neutrino - para mudar de identidade.

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