Três estudos medem a inteligência de um só neurônio

Uma breve atividade em menos de 100 neurônios é tudo que o cérebro precisa para ativar a tomada de decisões

EFE,

20 de dezembro de 2007 | 09h27

A inteligência que um único neurônio pode apresentar era subestimada até agora, mas três estudos mostraram que uma célula cerebral é capaz de reconhecer sozinha o sentido do tato sem ajuda alguma, além de ativar as funções de tomada de decisões e de aprendizagem.   Segundo a revista científica britânica Nature, cada neurônio contribui muito mais para nosso comportamento, capacidade de decisão e de cálculo do que se imaginava.   O cérebro dos mamíferos não conta com células nervosas suficientes para que cada uma dê conta, sozinha, de cada percepção, comportamento ou memória.Para aumentar seu potencial de armazenamento, o cérebro atua de maneira semelhante a uma orquestra, fazendo várias áreas interagirem. Ao mesmo tempo, usa as sinapses (transmissões de sinais entre neurônios) para formar uma rede de circuitos neuronais.   Os três relatórios publicados agora, no entanto, mostram o papel que cada neurônio é capaz de desempenhar de forma individual.   O primeiro estudo foi dirigido pela americana Karel Svodoba, do Instituto Médico Howard Hughes, da Virgínia. Ele utilizou um novo método para estimular, com luz, os neurônios situados na zona do cérebro do rato encarregada de controlar o tato dos bigodes.   A equipe demonstrou que uma breve atividade em menos de 100 neurônios é tudo de que o cérebro precisa para ativar a função de tomada de decisões ou de aprendizagem.   O segundo estudo procurou determinar a influência de uma única célula na capacidade dos ratos de processar o sentido do tato. Liderados por Michael Brent e Arthur R. Houweling, da Universidade Humboldt, em Berlim, os pesquisadores recorreram à estimulação elétrica de um neurônio do córtex cerebral para descobrir que um ligeiro aumento de sua atividade já provoca diretamente o desenvolvimento da sensibilidade ao tato no animal.   Svodoba, ao lado do também americano Christopher D. Harvey, abordou num terceiro estudo a função das conexões individuais entre neurônios, que permitem às células nervosas se comunicar entre si.   À medida que crescemos e o cérebro se desenvolve, o número de sinapses aumenta ou diminui, em função da atividade ou exercício mental. Experiências anteriores revelaram que o estímulo de uma única sinapse era capaz de modificar sua força. Mas os modelos em computador observaram que, nestes casos, houve interferências entre uma sinapse e suas vizinhas.   Os cientistas confirmaram que as sinapses próximas às conexões que foram reforçadas também ficam mais fáceis de potencializar.   A descoberta indica a existência de um tipo de sistema de classificação neuronal, com as interações locais entre sinapses vizinhas permitindo o agrupamento de modelos de armazenamento de memória.

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