Três mil tartarugas mortas no litoral indiano

Em uma única semana, mais de 3 mil ossadas de tartarugas oliva foram encontradas por pesquisadores da Wild Life Society de Orissa, região costeira do leste da Índia. Eles divulgaram à agência Indo-Asian News os resultados de um levantamento realizado todos os anos na região de nidificação desta espécie (Lepidochelys olivaceae). No ano passado, foram 18 mil tartarugas mortas.A tartaruga oliva é a segunda menor das espécies de tartaruga marinha, com 60 a 75cm, quando adulta, e peso médio de 65kg. Cada fêmea põe de 60 a 100 ovos, na maioria predados por siris, pássaros e peixes. Em média, calcula-se que apenas 1 em cada 120 filhotes nascidos chega à zona de alimentação e somente 2 em cada grupo de mil filhotes voltam à praia de origem como adultos, para acasalamento.Por seu comportamento, a tartaruga oliva ainda se expõe mais do que as outras espécies, porque costuma chegar aos pontos de nidificação em grandes bandos de fêmeas, chamados de arribada. Na Índia, as arribadas concentram-se entre novembro e março. A principal causa das mortes é a captura indesejada, em redes de espera ou de arrasto, sendo que uma só rede chega a capturar e afogar diversas fêmeas na mesma noite. Como as outras espécies, as tartarugas oliva também morrem intoxicadas por pesticidas e nos derramamentos de óleo ou por asfixia devido ao consumo de plásticos, isopores e outros materiais impermeáveis sintéticos, confundidos com algas ou águas vivas, nas suas áreas de alimentação.No Brasil, a tartaruga oliva é uma das menos freqüentes, nidificando apenas em algumas praias de Sergipe. As áreas mais conhecidas de nidificação, no mundo, ficam no Suriname, no litoral Pacífico do México, Costa Rica, Colômbia e Equador e no litoral indiano. A Índia tem um santuário - o Bhitarkanika Wildlife Sanctuary - conhecido como a maior área de nidificação, onde cerca de 400 mil tartarugas oliva sobem às praias de Gahirmatha para desovar. Mas, mesmo ali, têm sido observado um declínio populacional, devido ao uso indiscriminado de redes de espera sem escape próprio, em alto mar.

Agencia Estado,

08 de janeiro de 2002 | 14h02

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