Trio ganha Nobel de Química por trabalhos em microscopia

Eric Betzig, William E. Moerner e Stefan W. Hell contribuíram para a criação de aparelhos de alta resolução, com moléculas fluorescentes

Paula Felix, O Estado de S. Paulo

08 Outubro 2014 | 07h43

Atualizada às 22h55

O microscópio de alta resolução, que usa moléculas fluorescentes, foi a invenção que rendeu a dois americanos e a um romeno naturalizado alemão o prêmio Nobel de Química, anunciado ontem pela Academia Real das Ciências da Suécia. Eric Betzig, William Esco Moerner e Stefan W. Hell são os responsáveis por desenvolver a técnica que ofereceu, pela primeira vez, a possibilidade de verificar a interação de moléculas dentro de células vivas.

Segundo especialistas, a técnica é um marco para os estudos com uso do microscópio, pois permite a análise de partículas pequenas em alta resolução, algo que não era alcançado pelos microscópios ópticos, que usam um sistema de lentes para aumentar o tamanho das moléculas.

Até então, não era possível analisar uma partícula menor do que 0,2 micrômetro. Com a invenção, que tem como diferencial o uso de material fluorescente, esse tamanho cai para 1 nanômetro, segundo René Alfonso Nome Silva, professor do Departamento de Físico-Química do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

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“Para a ciência, em particular, é importante porque é um sonho dos cientistas ver as moléculas que tanto estudamos. A esperança é usar essa tecnologia para desenvolver conhecimento para a humanidade e entender como funcionam as doenças”, afirmou Silva.

Comemoração. O cientista americano William Esco Moerner, de 61 anos, estava no Recife, onde participou de um workshop internacional sobre fundamentos da interação luz-matéria, na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), quando tomou conhecimento da conquista, na manhã de ontem.

Ele foi informado pela mulher, que lhe telefonou dos Estados Unidos, para onde ele voltou à tarde. Moerner, que trabalha na Universidade de Stanford, disse que o prêmio foi “uma boa surpresa”, especialmente porque a pesquisa foi realizada em 2007 e ele não tinha mais expectativa em relação ao seu reconhecimento.

Doutor pela Universidade de Heidelberg e diretor do Instituto Max Planck de Química Biofísica, em Göttingen, na Alemanha, e do Centro Alemão de Pesquisa do Câncer, em Heidelberg, Stefan W. Hell deu uma declaração exaltando sua paixão pela ciência. “Eu amo ser cientista. Sempre gostei de ser curioso, de desafiar o conhecimento tradicional. Acho que isso é uma coisa que o cientista pode fazer, há muita diversão em buscar coisas que as outras pessoas não pensam.”

Jairo José Pedrotti, doutor em Química Analítica e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, afirma que a invenção deve trazer benefícios para a medicina e a indústria farmacêutica. “Uma das grandes contribuições é para a avaliação de amostras de interesse biológico, da área médica e para a análise da interação de fármacos.”

Professor do Departamento de Bioquímica do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), Henning Ulrich diz que o novo modelo permite estudar “sinapses de neurônios e como eles reagem aos estímulos elétricos” e analisar a “base molecular de doenças”. / COLABOROU ANGELA LACERDA

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