Turismo ajuda a proteger a biodiversidade, mas também causa impactos

Entre 1990 e 2000, a indústria turística mundial cresceu mais de 100%, tendo se desenvolvido de forma especialmente acelerada em algumas localidades de países como o Laos, Camboja, África do Sul, Nicarágua, El Salvador, República Dominicana e Brasil. O turismo já corresponde a cerca de 11% do PIB mundial, emprega 200 milhões de pessoas e transporta algo em torno de 700 milhões de viajantes internacionais, com a expectativa de dobrar este último número até 2020. Boa parte deste turismo envolve a visita a cidades e destinos históricos e culturais, mas o crescimento do setor está cada vez mais vinculado ao ecoturismo e ao turismo de aventura, oferecendo, de um lado, oportunidades de geração de receita para a proteção da natureza e, de outro lado, riscos à biodiversidade e mesmo à integridade dos ecossistemas visitados. Um primeiro levantamento destas oportunidades e riscos está no relatório ?Turismo e Biodiversidade: Mapeando a Pegada Global do Turismo?, organizado pelo Programa das Nações Unidas sobre Meio Ambiente (Pnuma) e pela entidade ambientalista Conservation International (CI), e divulgado em Durban, na África do Sul, durante o V Congresso Mundial de Parques, que termina amanhã (17/9). ?Se aliarmos o desenvolvimento do turismo à conservação da biodiversidade e bem-estar das comunidades locais, podemos desenvolver estratégias capazes de, a um tempo, conservar os ecossistemas mais ameaçados da Terra e contribuir significativamente para o alívio da pobreza?, resumiu, em nota à imprensa, Costas Christ, diretor de Ecoturismo da CI e principal autor do relatório.Os impactos negativos do turismo sobre ecossistemas, fauna e flora incluem desmatamentos para a construção de infra estruturas (hotéis, restaurantes, pousadas, estradas, marinas, etc), poluição (sobretudo por esgotos), introdução de espécies invasoras e degradação ambiental, em especial de recursos hídricos. Há, ainda, impactos sociais negativos sobre comunidades do entorno das localidades visitadas, como encarecimento do custo de vida, flutuações da economia e rupturas culturais. ?O turismo tem um imenso potencial, tanto para o bem como para o mal?, acrescentou Klaus Toepfer, diretor do Pnuma. ?É uma indústria que depende de comunidades e ambientes estáveis e saudáveis, portanto não deve arruinar a vida silvestre e as paisagens, que o turista está pagando para ver. Precisamos encorajar e estender os bons exemplos de equilíbrio entre as necessidades da indústria turística e da proteção à biodiversidade para que eles não se tornem ilhas de boa prática em oceanos de declínio ambiental?. Parques do mundo.

Agencia Estado,

16 de setembro de 2003 | 16h02

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