UE critica alternativa ao Protocolo de Kyoto

A União Européia (UE) criticou nesta sexta-feira o plano para mudanças climáticas globais anunciado pelo presidente George W. Bush. Segundo a Comissária Européia para o Meio Ambiente, Margot Wallström, a posição do governo norte-americano, divulgada na quinta-feira, "não é uma alternativa ao Protocolo de Kyoto". Ela observou que as propostas de Bush não deverão causar uma redução das emissões de gases que provocam o efeito estufa, mas sim permitir o seu aumento de uma forma significativa. "O Protocolo de Kyoto é a única estrutura internacional criada para combater o efeito estufa e conclamamos os Estados Unidos a retornarem ao processo ", disse Wallström. Apesar de os Estados Unidos serem os maiores emissores de gases que causam o efeito estufa, o governo Bush abandonou o Protocolo de Kyoto em março do ano passado sob a justificativa que as suas metas prejudicariam a atividade econômica do país. A postura da Casa Branca vem sendo alvo de constantes críticas da UE, Japão e também do governo brasileiro. Wallström disse que o plano de Bush reforça ainda mais dúvidas se os Estados Unidos serão capazes de honrar os seus compromissos estabelecidos sob a Convenção de Mudança Climática das Nações Unidas. O governo norte-americano ratificou o tratado, que prevê que os países estabilizem as suas emissões de gás carbônico aos níveis registrados em 1990. Ela lembrou que a UE já reduziu suas emissões abaixo dos níveis de 1990 e vai atingir a sua meta prevista pelo Protocolo de Kyoto de uma redução de 8% até 2012 . A comissária salientou que os esforços promovidos nos Estados Unidos deveriam acompanhar aqueles que estão feitos em outras partes do mundo. "Para proteger o nosso clima teremos que reduzir as emissões." Segundo ela, isso é fundamental para que o planeta alcance um desenvolvimento sustentável. "O presidente Bush acredita que as normas do Protocolo de Kyoto prejudicariam a economia norte-americana", afirmou. "Eu acho que melhorar o meio ambiente através do progresso tecnológico pode na verdade aumentar a nossa competitividade e estimular o crescimento econômico."

Agencia Estado,

15 de fevereiro de 2002 | 17h39

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