UE pede avanços tangíveis para pacto contra mudança climática

União Europeia já se comprometeu a reduzir, em 2020, suas emissões de gases do efeito estufa em 30%

Efe e Reuters,

27 de março de 2009 | 17h46

A Comissão Europeia (CE, órgão executivo da União Europeia) pediu nesta sexta-feira, 27, que a Conferência da ONU que começa este domingo na Alemanha consiga "avanços tangíveis em direção a um novo e ambicioso acordo mundial para combater a mudança climática".

 

Veja também:

União Europeia aprova normas contra dano à camada de ozônio

UE endireita rotas aéreas para cortar gastos e emissões de CO2

especialEntenda as negociações do novo acordo sobre mudança climática

especialEspecial: Quiz: você tem uma vida sustentável? 

especialEspecial: Evolução das emissões de carbono  

especialEspecial: As ações diárias que salvam o planeta 

 

As negociações na cidade de Bonn, que vão terminar no dia 8 de abril, são as primeiras desde a Conferência de Poznan (Polônia) em dezembro e desde que Barack Obama tomou posse como presidente dos Estados Unidos.

 

O acordo internacional sobre mudança climática que substituirá o Protocolo de Kyoto a partir de 2013 deve ser fechado na cúpula das Nações Unidas que acontecerá em Copenhague no final deste ano.

 

O comissário europeu do Meio Ambiente, Stavros Dimas, considera fundamental que a redução dos pontos de desacordo na reunião de Bonn, já que faltam apenas nove meses para Copenhague.

 

"Nos últimos dois meses, a UE estabeleceu uma visão global para o acordo de Copenhague. Agora, esperamos que nossos parceiros apoiem nossas posturas ou proponham alternativas construtivas", comentou.

 

A UE se comprometeu a reduzir, em 2020, suas emissões de gases do efeito estufa em 30% a respeito dos níveis de 1990, caso alcance um acordo internacional sobre mudança climática.

 

Além da conferência de Bonn, estão agendadas outras três reuniões antes de Copenhague: uma em junho, novamente em Bonn, e outras duas que ainda não têm detalhes confirmados, mas que poderiam acontecer em Viena ou Poznan (Polônia), em agosto, e em Bangcoc, em setembro ou outubro.

 

Metas

 

Conheça as metas estabelecidas por países importantes para a redução nas emissões de gases do efeito estufa, antecedendo as negociações sobre o clima mediadas pela Organização das Nações Unidas (ONU) em Bonn, na Alemanha, entre 29 de março e 8 de abril:

 

China, Estados Unidos, União Europeia, Rússia e Índia são os que mais emitem gases estufa no mundo. As metas estabelecidas por eles afetarão a resolução para um novo acordo da ONU a fim de combater o aquecimento global, previsto para ser aprovado em Copenhague em dezembro.

 

Os países ricos planejam unir-se por cortes de cerca de 15% abaixo dos níveis atuais até 2020. Muitos países em desenvolvimento tentam conter o aumento das emissões, sem limites que, segundo eles, reprimiriam o crescimento econômico e a sua luta para pôr fim à pobreza.

 

Estados Unidos: O presidente Barack Obama defende o corte das emissões norte-americanas para os níveis de 1990 até 2020 - cerca de 15 por cento abaixo dos níveis recentes - e para 80 por cento abaixo dos níveis de 1990 até 2050.

 

União Europeia: Os líderes da União Europeia concordaram em dezembro em cortar as emissões em 20 por cento abaixo dos níveis de 2020 até 2020, um corte de aproximadamente 14 por cento nos níveis recentes. Líderes europeus querem que os países ricos tenham como objetivo a redução nas emissões entre 60 e 80 por cento dos níveis de 1990 até 2050.

 

A Grã-Bretanha comprometeu-se com uma meta estabelecida por lei a cortar os gases estufa em 80 por cento abaixo dos níveis de 1990 até 2050.

 

A Alemanha planeja cortar as emissões de dióxido de carbono em 40 por cento, comparando-se aos níveis de 1990, até 2020.

 

Rússia: Ainda não estabeleceu uma meta para 2020.

 

Japão: Planeja estabelecer os cortes para 2020 até junho. O Partido Democrático, de oposição, prometeu cortar as emissões em 25 por cento abaixo dos níveis de 1990 até 2020 caso vença uma eleição marcada para outubro.

 

Canadá: Planeja cortar as emissões em 20 por cento abaixo dos níveis de 2006 até 2020 e prevê cortes entre 60 e 70 por cento nos níveis de 2006 até 2050. As emissões atualmente são mais de 20 por cento maiores dos que os níveis de 1990.

 

Austrália: Planeja reduzir as emissões em 5 por cento dos níveis de 2000 até 2020 e em até 15 por cento dos níveis de 2000 se houver um forte pacto da ONU.

 

China: Um plano para entre 2006 e 2010 tem como objetivo reduzir o consumo de energia por unidade do produto interno bruto em 20 por cento, contendo o aumento das emissões de gases estufa. Pequim também planeja quadruplicar o produto interno bruto entre 2001 e 2020 enquanto apenas duplica o uso de energia.

 

Índia: Nova Délhi afirma que a prioridade deve ser o crescimento econômico a fim de reduzir a pobreza enquanto muda a matriz energética com o uso de energias limpas, lideradas pela energia solar. Um plano para o clima de junho passado não estabeleceu limites para as emissões de gases estufa, mas diz que as emissões indianas per capita nunca excederão as dos países ricos.

 

Brasil: Planeja medidas como reduzir à metade o desmatamento da Amazônia em 10 anos para evitar a emissão de 4,8 bilhões de toneladas de dióxido de carbono; conservação de energia e manter a participação das energias renováveis na sua matriz energética. As hidrelétricas são responsáveis por 77 por cento da geração de eletricidade.

 

Metas Internacionais

 

Protocolo de Kyoto: Compromete os países industrializados, à exceção dos EUA, a cortar as emissões em média em ao menos 5 por cento abaixo dos níveis de 1990 até 2008-2012.

 

G8 - Importantes países industrializados concordaram em uma cúpula do G8 no Japão, em julho de 2008, com a "perspectiva" de cortar as emissões mundiais de gases estufa em 50 por cento até 2050.

 

Global: Cerca de 190 países concordaram no ano passado em estabelecer um novo tratado até o fim de 2009 para substituir o Protocolo de Kyoto, envolvendo cortes maiores nas emissões dos países ricos e ação nos países pobres para reduzir o aumento nas emissões desses países.

Tudo o que sabemos sobre:
aquecimento global

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.