UE reage a proposta islâmica de limitar liberdade de expressão

Os que apóiam a proposta querem que ela seja discutida em abril no encontro das Nações Unidas, em Genebra

AP

17 de dezembro de 2008 | 18h31

Propostas islâmicas para banir críticas à religião, que ganharam força desde a publicação das caricaturas do profeta Maomé há dois anos, ameaçam descarrilar a já problemática conferência anti-racismo da ONU, planejada para o próximo ano.  A União Européia rejeita sugestões da Argélia - apoiadas por outros países muçulmanos e africanos - de que limites à liberdade de expressão são necessários para barrar a publicação de artigos e imagens ofensivos.  Os que apóiam a proposta querem que ela seja discutida em abril no encontro das Nações Unidas, em Genebra. Mas diplomatas europeus dizem que isso está fora de questão.  "Deixamos claro desde o começo que não vamos negociar", disse o diplomata francês Daniel Vosgien nesta quarta-feira, 17. A França está, no momento, na presidência da UE.  Diplomatas ocidentais, falando em anonimato devido à sensibilidade do assunto, disseram que as exigências islâmicas podem acabar com a reunião.  O especialista da ONU em liberdade de expressão, Frank LaRue, criticou as chamadas " leis antiblasfêmia" usadas para proteger a religião em alguns países.  "Tais leis normalmente são usadas para não permitir a legítima crítica a líderes religiosos poderosos, e para suprimir visões de minorias religiosas, dissidentes e ateus, e são aplicadas de maneira discriminatória", disse LaRue.  Israel e Canadá já manifestaram que não participarão, devido a temores de que a reunião venha a repetir acontecimentos anti-semitas da primeira conferência em Durban, África do Sul, em 2001. Os Estados Unidos indicaram que podem tomar a mesma posição.

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