UFPE avalia bioinseticida contra carrapatos e gafanhotos

As três espécies de fungos mais usadas no controle biológico de cigarrinhas da cana de açúcar e das pastagens ? Beauveria bassiana, Metarhizium anisopliae e M. flavoviride ? servem também para matar carrapatos e gafanhotos. A eficiência dos fungos foi avaliada pelo Laboratório de Micologia da Universidade Federal de Pernambuco, em duas teses de pós graduação, orientadas pela pesquisadora Elza Áurea. Em ambos os casos, os fungos foram considerados eficientes, matando as pragas, sem causar dano ao ambiente nem aos animais de sangue quente, incluindo aves insetívoras, como os anus, que se alimentam de carrapatos. O único efeito indesejado é a morte de invertebrados considerados benéficos, como alguns tipos de formigas e aranhas. ?Cerca de 200 espécies de invertebrados podem ser afetadas por estes fungos, mas não há registro na literatura de que façam mal à saúde humana ou aves ou mamíferos?, observa Elza Áurea. Segundo ela, os bioinseticidas são especialmente recomendados contra pragas, que apresentam resistência a pesticidas químicos. Podem ser aplicados com pulverizadores comuns, diretamente sobre o gado (carrapatos) ou nas plantações infestadas (gafanhotos).Uma vez em contato com as pragas e parasitas, os fungos penetram em seus organismos, matam os hospedeiros, desenvolvem-se e depois afloram através das partes moles, para a fase de reprodução, quando então soltam esporos, que podem atingir mais invertebrados, ampliando sua ação. Os resultados ainda são considerados preliminares e a pesquisa de laboratório deve ser complementada por testes de campo, mas os níveis de infecção obtidos foram considerados muito promissores.A pesquisa com os carrapatos foi realizada em 4 anos e a dos gafanhotos, 3 anos, esta envolvendo apenas o efeito sobre gafanhotos da espécie Schistocerca pallens, de importância econômica no sertão nordestino e regiões mais secas do cerrado, no Brasil Central. As pesquisas contaram com um investimento da ordem de R$8 a 10 mil por ano, da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe). A expectativa, agora, é de estudar os efeitos dos bioinseticidas sobre outras pragas, como cupins ou a mosca branca, que afeta hortaliças e com a qual já foi realizada uma primeira avaliação, igualmente promissora.Email Elza Áurea: elal@bol.com.brUFPE (http://www.ufpe.com.br)

Agencia Estado,

05 de junho de 2002 | 21h55

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