Um só gene controla o comportamento sexual

Um único e simples gene é responsável por um complexo modelo de comportamento e orientação em torno da sexualidade, segundo descobriram cientistas da Academia de Ciências Austríaca, que acreditam que outras facetas do comportamento humano e animal também têm uma explicação simples.Embora isso tenha sido comprovado na mosca drosophila melanogaster, os cientistas acreditam ter a chave para novos conhecimentosessenciais do comportamento sexual, inclusive o de seres humanos.Barry Dickson, especialista em genética das moscas do Instituto de Biotecnologia Molecular de Viena, e Ebru Demir, autora de uma tesededicada ao assunto, publicam a descoberta na revista de biologia Cell.Conduta complexaO pesquisador afirmou em entrevista que a descoberta é "sensacional", pois até agora os cientistas não acreditavam que a tão complexa conduta masculina e feminina pudesse depender de um só fator biológico.Em conseqüência de certas manipulações genéticas, os cientistas puderam provocar mudanças no comportamento sexual das moscas drosophila.Após uma manipulação genética, os machos, que normalmente "perseguem" as fêmeas, passaram a "cortejar" outros machos, e as fêmeas, abandonando o comportamento passivo, passaram a cortejar espécies de ambos os sexos.Até agora eram conhecidos os genes responsáveis pela formação de determinados órgãos e sistemas orgânicos no desenvolvimento dosembriões, mas isso não acontecia em relação ao comportamento, que era considerado muito complexo.Organismo modeloO ato sexual da drosophila melanogaster, considerada como organismo modelo para a genética, orienta-se em determinados modelos:os machos tocam as fêmeas, "cantam" fazendo vibrar suas asas e lambem os órgãos sexuais do casal, até que as fêmeas, anteriormente passivas, reajam e se mostrem dispostas à cópula.Pelo visto, o gene decisivo para a orientação sexual existe em duas versões, a masculina e a feminina, e ao mudar de versão ocorremmudanças radicais do comportamento sexual, independentemente do sexo.Os cientistas agora estão convencidos de que o mesmo pode valer para o ser humano, assim como para outras mostras de comportamento, especialmente no que se refere à agressividade, à amizade e à inimizade humanas.Conduta congênitaNo passado, com os métodos clássicos da genética, registraram-se poucos sucessos no que se refere à conduta congênita. Com a mudança de papéis artificialmente provocada, pode se ter identificado uma série de processos biológicos voltados para o comportamento determinado."Conhecemos a intersecção que leva a uma conduta específica, mas ainda não conhecemos o que há por trás", disse Dickson. Por isso, será necessário esclarecer todos os mecanismos que levam a esse resultado.Junto com cientistas da Universidade de Harvard, em Boston (EUA), os especialistas de Viena querem estudar agora as possíveis causasda agressão, o que poderia até ter conseqüências para o estudo do comportamento dos animais, a etologia.Os especialistas em genética têm esperança de que se poderia tratar do começo de uma pesquisa sistemática de comportamentos congênitos, futuramente acessíveis para a ciência, como chegou a ser há muito tempo o desenvolvimento dos órgãos nos embriões.

Agencia Estado,

02 de junho de 2005 | 15h19

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