Um só neurônio permite vencer paralisia, mostra estudo

Técnica poderá ajudar pessoas com paralisia do pescoço para baixo, mas uso em humanos está distante

Associated Press,

15 de outubro de 2008 | 15h28

Macacos que foram ensinados a jogar videogame conseguiram superar uma paralisia do pulso com o uso de um dispositivo experimental que poderá levar a tratamentos para vítimas de derrame e de ferimentos na espinha vertebral.  Veja também: Cérebro orienta braço-robôMacaco nos EUA movimenta as pernas de um robô no JapãoCientistas registram ação de neurônios durante lembrançaRealidade virtual induz 'experiência fora do corpo' Criado sistema capaz de ler imagens dentro do cérebro humano O notável é que os macacos recuperaram o uso dos músculos paralisados ao aprender a controlar a atividade de uma única célula do cérebro.  O resultado é um "importante passo à frente", disse Dawn Taylor, da Universidade case Western Reserve (EUA), que não tomou parte no trabalho. Ela estuda o conceito de usar sinais das células do cérebro para superar paralisias. O dispositivo usado no estudo monitorava a atividade da célula e usou essa atividade como deixa para estimular os músculos do pulso eletricamente. Pesquisadores descobriram que o aparelho poderia se valer até mesmo de neurônios que, normalmente, nada têm a ver com o movimento do pulso, disse um dos autores do trabalho, Chet Moritz. Portanto, uma ampla reserva intocada de células cerebrais pode estar disponível para permitir que pessoas paralisadas façam coisas como fechar a mão em torno de uma xícara de café ou escovar os dentes, disse Moritz. Mas ele fez questão de destacar que a abordagem ainda está a anos, ou décadas, de ser utilizada em seres humanos. Moritz e colegas da Universidade de Washington em Seattle divulgam os resultados em artigo publicado na revista científica Nature.  Taylor disse que o resultado ilustra o potencial da abordagem e a flexibilidade dos neurônios.  Lee Miller, um pesquisador da Universidade Northwestern e que já realizou estudos semelhantes, disse que a demonstração do funcionamento de um aparelho com sinais cerebrais para fazer um membro paralisado mover-se é "um importante novo desenvolvimento".Miller usou o padrão de atividade em cerca de 100 células do cérebro para prever que tipo de movimento do pulso um macaco desejava fazer. Moritz acredita que focalizar o estudo em uma única célula pode poderá gerar resultados melhores no combate à paralisia. A pesquisa é um exemplo do que cientistas chamam de estimulação elétrica funcional, ou FES, na sigla em inglês. O processo envolve estimular músculos por meio da aplicação de corrente elétrica. Pessoas parcialmente paralisadas usam dispositivos de FES para ficar em pé, caminhar, usar braços e mãos e fazer outras tarefas. Mas ele usam esse aparelhos ativando um interruptor, movendo juntas ou tensionando músculos. Taylor diz que o uso de um neurônio único poderia ser uma boa estratégia para pessoas paralisadas do pescoço para baixo. Isso porque essas pessoas têm muito poucos músculos disponíveis para associar aos dispositivos. No novo experimento, cientistas trabalharam com dois macacos. Cada animal teve as mãos fixadas sobrte uma superfície plana, e aprenderam que, flexionando os pulsos para aumentar ou reduzir a pressão das patas sobre a superfície, poderiam deslocar um cursor em uma tela. Em seguida, os pulsos dos macacos foram paralisados com um anestésico. Os cientistas introduziram uma sonda no cérebro dos animais que monitorava a freqüência de disparo de uma única célula cerebral. Essa taxa foi convertida em um estímulo elétrico que era transmitido aos músculos paralisados.  O arranjo foi feito de forma que diferentes taxas de ativação do neurônio correspondessem a diferentes estados da mão: pressionando para cima, para baixo ou relaxada. Os macacos rapidamente pegaram o jeito de usar o neurônio para continuar a brincar com o cursor. Em seres humanos, movimentos mais complexos iriam exigir o monitoramento de muitas células cerebrais ao mesmo tempo, para ativar diversos músculos, disse Moritz.  O cérebro teria de aprender a coordenar todos os sinais para produzir um movimento útil. Também pode ser possível que um único neurônio possa coordenar os movimentos de diversos músculos, se o sinal for enviado para pontos específicos da espinha vertebral.

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