Uma cidade salva o urso abandonado pelo circo

O circo partiu e lá ficou, perdido em Iguaraci, no sertão de Pernambuco, o urso abandonado durante uma semana, em uma jaula, plantada no centro da cidade. Moradores de Iguarací não suportaram a situação do urso e o delegado local, Luiz Carlos Lins, pediu um laudo de um veterinário, que constatou falta de higiene, pelagem maltratada e alimentação imprópria - tudo o que o animal recebia era apenas angu e água. Hoje, o urso pardo do Circo Hatary foi resgatado e deverá chegar, por volta das 23 horas, ao Horto de Dois Irmãos, na capital, a 365 quilômetros, onde irá ficar isolado, em quarentena, recuperando-se do estresse, maus tratos e alimentação inadequada a que foi submetido. Uma equipe do Ibama seguiu com um caminhão de grande porte e uma jaula para buscar o animal, cumprindo um mandado debusca e apreensão determinado pela juíza de Afogados da Ingazeira, no sertão, Daniela Rocha Gomes. O mandado derrubouuma decisão anterior, do juiz de Sertânia, também no sertão, Gilvan Macedo, que havia concedido a guarda provisória do urso ao dono do circo. O proprietário teria negado o abandono, alegando não ter podido levar o animal a Sertânia - que se inseria no roteiro do circo - porque ali era proibido a entrada de animais selvagens, mas teria deixado uma pessoa encarregada da sua alimentação.O Ibama soube do abandono do urso na segunda-feira, depois de ter sido avisado pelo delegado de Iguaraci. Preparava-se para ir buscar o animal, quando o dono do circo conseguiu reaver sua guarda. Hoje, com a nova reviravolta, foi resgatar o urso. O destino final do animal ainda não está definido. Como o horto de Dois Irmãos já tem três animais dessa espécie e não dispõe de jaula para abrigar mais um, o Ibama está procurando um zoológico que se disponha a cuidar do bicho depois da quarentena.Uma alternativa será o zôo de Vitória de Santo Antão, na região metropolitana, que demonstrou interesse em recebê-lo. Se o proprietário do circo reclamar a guarda do animal, terá direito a defesa e a procuradoria do Ibama decidirá se ele tem condições de se responsabilizar pelo bicho.

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