Unesco intermedia acordo tecnológico entre Brasil e Moçambique

A tecnologia brasileira poderá ajudar Moçambique a controlar enchentes, já na próxima estação chuvosa, no início de 2004, caso sejam acertados a tempo os últimos detalhes da cooperação entre os dois países, num acordo que conta com a intermediação da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco). Moçambique vem solicitando ajuda internacional desde a grande enchente de 2000, que castigou o país, isolando centenas de milhares de pessoas e fazendo pelo menos 700 vítimas fatais. As enchentes se repetiram em 2001, obrigando o governo a abrir as comportas de uma das maiores hidrelétricas do sudeste da África, a Cahora-Bassa, e a negociar a gestão hídrica com os países vizinhos, Zâmbia e Zimbábue. A força das águas ainda arrastou muitas minas terrestres, que estavam parcialmente mapeadas, agravando o flagelo das enchentes.Pelo acordo, que está sendo finalizado, o Brasil disponibilizará os satélites SCD2 e CBERS1 para a coleta e retransmissão de dados de 4 plataformas automáticas, a serem instaladas na Bacia do rio Zambeze: uma no próprio Zambeze, na localidade de Marromeu, outra no rio Chire, em Megaze, uma terceira no rio Mazoe, na cidade de Mazoe-Ponte e a última no rio Luia, na cidade de mesmo nome. Haverá uma plataforma de reserva, para substituição em caso de falha, e será montada uma estação de recepção dos dados dos satélites, em Beira. As plataformas ficam em terra e têm sensores e aparelhos, que medem vários parâmetros hidrológicos, depois transmitidos por satélite até a estação central, agilizando as decisões de gestão. A transmissão via satélite é especialmente importante em rios como o Zambeze, que recebem muita água de terras mais altas e não têm muita folga para dar vazão a toda esta água, ou seja, podem inundar as margens rapidamente. Alguns técnicos moçambicanos já vieram ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos, interior de São Paulo, para um primeiro treinamento. Mas os cursos principais de operação e manutenção das plataformas e estação serão ministrados por pesquisadores brasileiros em Moçambique, segundo informa Wilson Yamaguti, do Inpe. ?Este seria um exemplo concreto de cooperação horizontal (Sul-Sul, como se diz no jargão diplomático) extremamente positivo?, comenta Jorge Werthein, representante da Unesco no Brasil. ?Estamos finalizando o detalhamento do projeto para apresentar a possíveis doadores internacionais, com a expectativa de implantar a primeira fase em alguns meses, até o início de 2004?. São necessários US$230 mil para esta primeira fase e outros US$ 500 mil para a segunda fase, na qual se prevê expandir os pontos de monitoramento com mais 12 plataformas, uma das quais seria marinha. Também seria ampliado o leque de dados coletados, incluindo qualidade da água e outras informações meteorológicas. O Brasil não cobrará o uso dos satélites. Os recursos são destinados, basicamente, à compra e instalação dos equipamentos e viagens de treinamento.

Agencia Estado,

11 de agosto de 2003 | 16h08

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.