União Europeia quer taxa do clima para países ricos

Arrecadação de US$ 200 bi seria feita por meio de uma taxação dos gases estufa emitidos entre 2013 e 2020

Pete Harrison e Gerard Wynn, Reuters,

22 de janeiro de 2009 | 17h10

Os países ricos podem arrecadar US$ 200 bilhões em fundos do clima por meio de uma taxação sobre os gases estufa emitidos por eles entre 2013 e 2020 a fim de ajudar os países pobres a se preparar para o aquecimento global, defenderá a União Europeia na semana que vem.   O plano está previsto em um documento da UE definindo a posição do bloco antes da reunião sobre o clima em Copenhague, em dezembro, promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU). O encontro tem como objetivo chegar a um acordo sobre um novo tratado sobre o clima global.   A ideia para arrecadação de fundos é a mais específica até agora vinda de um bloco ou país rico no que diz respeito a como persuadir os países em desenvolvimento a concordar com passos concretos a fim de evitar as emissões de gases estufa - um dos obstáculos-chave das negociações climáticas até agora.   O projeto, que deve ser publicado na semana que vem e ao qual a Reuters teve acesso, pede que os países ricos paguem para que os países em desenvolvimento cortem as suas emissões de gases estufa, no processo chamado de mitigação, e se preparem para o aquecimento inevitável, chamado de adaptação.   "Todos os países desenvolvidos precisarão contribuir com os recursos financeiros para a adaptação e a mitigação nos países em desenvolvimento via financiamento público e uso de mecanismos de crédito de carbono", diz o documento.   Os países ricos devem se comprometer com limites obrigatórios sobre emissões de gases estufa até 2020. Eles poderão então pagar um preço estabelecido para cada tonelada de emissão, diz o documento, sob uma de "duas opções principais para gerar os fundos".   A outra opção seria pagar proporcionalmente por tonelada em um mercado de carbono global, e portanto não ter preço garantido.   Se tiver ampla aprovação, o plano poderia estimular o principal emissor de carbono do mundo, a China, a concordar com medidas climáticas internacionais obrigatórias. Por sua vez, isso poderia satisfazer uma precondição geral exigida pelo segundo maior emissor, os Estados Unidos, para assinar um sucessor do Protocolo de Kyoto.   Os EUA não ratificaram o Protocolo de Kyoto porque o pacto não continha nenhuma obrigação concreta para os países em desenvolvimento, posição que provavelmente será mantida pelo novo governo de Obama com relação ao novo pacto depois de 2012.   O documento da UE disse que se os principais países desenvolvidos pagassem 1 euro por tonelada de gás estufa a partir de 2013, subindo para 3 euros até 2020, isso arrecadaria 164 bilhões de euros (213 bilhões de dólares) ao longo do período.

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