Unicamp cria composto sintético para biossensores

Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) criaram compostos sintéticos que reproduzem a atividade de anticorpos, enzimas, células, receptores e outros componentes biológicos, informou a Agência Fapesp. Com eles, será possível produzir biossensores como os que medem o nível de glicose dos diabéticos no glicosímetro portátil vendido em farmácias.Batizados de sistemas biomiméticos ? inspirados no mimetismo de mariposas, camaleões e outras espécies que mudam de cor para se camuflar ?, os compostos sintéticos podem reconhecer íons ou moléculas das substâncias analisadas pelos biossensores, com a vantagem de resistir ao tempo muito mais do que enzimas ou anticorpos, por exemplo. Um dos objetivos dos pesquisadores é justamente garantir mais estabilidade a estes compostos, para que possam ter aplicação comercial.Biossensores podem identificar a presença de determinadas substâncias na água, no sangue, na urina, em alimentos etc. Lauro Tatsuo Kubota, professor do Instituto de Química da Unicamp e chefe da pesquisa, criou uma substância sintética estável, à base de cobre e de ferro, colocada em forma de camadas na superfície do biossensor. Ela emite respostas químicas traduzidas por eletrodos, fibras ópticas e polímeros condutores.Compostos biológicosA equipe da Unicamp também trabalha para conseguir estabilizar componentes biológicos, e tem tido bons resultados. Já conseguiu desenvolver um biossensor para avaliar o nível de álcool no sangue, à base de grafite, sílica modificada com nióbio e azul de metileno como corante. O composto biológico mantém-se estável por três meses, quando similares anteriores descaracterizaram-se em uma semana.Além disso, o grau de precisão na detecção de álcool é de 99%. Os bafômetros usados atualmente só apontam a presença de álcool no sangue quando em concentrações elevadas.Parceria internacionalOs pesquisadores da Unicamp já desenvolveram diferentes compostos sintéticos de interesse ambiental, farmacêutico e medicinal, que resultaram em três pedidos de patentes. A perspectiva é que os novos biossensores custem bem menos do que os usados atualmente.Segundo a Agência Fapesp, os resultados apresentados em um congresso na Alemanha, em 2002, atraíram a atenção de pesquisadores da Europa e dos Estados Unidos, que fizeram propostas para trabalhos em parceria.O desenvolvimento dos biossensores integra um projeto temático coordenado pelo professor Elias Ayres Guidetti Zagatto, do Centro de Energia Nuclear da Agricultura (Cena) da Universidade de São Paulo (USP), em Piracicaba.

Agencia Estado,

16 de fevereiro de 2004 | 17h27

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