Unicamp mapeia 4 aqüíferos em Campos

Além do petróleo, a Bacia de Campos, em Campos de Goytacazes (RJ), guarda outra reserva importante. Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) mapearam quatro promissores aqüíferos, de fácil exploração, em uma região castigada pela poluição de sua principal fonte de captação de água: a Bacia do Rio Paraíba do Sul.A professora do Instituto de Geociências da Unicamp e hidrogeóloga Sueli Yoshinaga Pereira, coordenadora da pesquisa, disse que o potencial do aqüífero já era conhecido. Faltava mapeá-lo, o que exigiu dois anos de trabalho. Os pesquisadores contaram com dados da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) e da Petrobrás. Após o cruzamento de informações geológicas e fisiográficas, foi possível definir o tamanho e o potencial dos aqüíferos. A equipe batizou os aqüíferos de Fraturado, Terciário Formação Barreiras, Terciário Formação Emborê e Quaternário Deltaico. O Quaternário é o mais promissor. Sua reserva foi definida em 11,7 bilhões de metros cúbicos de água e a renovável, em 15,5 bilhões. Segundo os estudos, é possível captar 140 m3 por hora só em um poço cavado sobre o Quaternário, o suficiente para 13.500 pessoas. Sueli afirmou que o Emborê, entre rochas, é promissor, mas não foi possível determinar sua reserva e dos outros dois por falta de dados. O Barreiras é o mais limitado, já que sua formação rochosa é de granito. O Quaternário é um aqüífero chamado de livre e corre entre camadas de areia, o que lhe dá maior potencial. A equipe da Unicamp suspeita que o Emborê tenha a água de melhor água qualidade. Já a do Quaternário tem alto teor de ferro e precisa de tratamento antes do consumo. "Acho que valeria a pena investigar o Emborê, que parece ser especial", disse Sueli. Para explorar a reserva, pode-se cavar poços de apenas 3 ou 4 metros em alguns pontos do Quaternário. Em outros pontos, como no Emborê, será necessário cavar 200 metros. Mesmo assim, a captação em poços artesianos na região é mais barata e rápida que a de uma Estação de Tratamento de Água (ETA) do poluído Rio Paraíba do Sul. De acordo com o pesquisador da Unicamp Lucio Carramillo Caetano, que defendeu tese de mestrado sobre os aqüíferos de Campos, a instalação e manutenção de uma ETA ficam entre 35% e 700% mais caras que a construção e o tratamento da água de um poço artesiano. O investimento anual para tornar disponíveis 30 m3 por hora é de US$ 94 mil para construir uma ETA e de US$ 32 mil para a manutenção. Perfurar e manter um poço com captação de 35 m3 por hora consumiria, respectivamente, US$ 72 mil e US$ 3.800. A Agência Nacional de Águas (ANA) saudou o mapeamento da Unicamp como novidade a ser explorada. Em São Paulo, um estudo da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) de 1997 indicou que 72% dos 645 municípios usavam poços artesianos; 47% deles eram abastecidos por água subterrânea, como Catanduva, Rafard e Lins. O planejamento do uso e ocupação do solo é fundamental para evitar a contaminação dos aqüíferos de Campos, disse Sueli. "Descontaminar água subterrânea é muito mais caro que construir ETAs." A próxima tese a ser defendida por alunos da Unicamp prioriza a identificação das fontes de poluição para ver a vulnerabilidade dos aqüíferos. Desmatamentos, fossas, agrotóxicos e a salinização estão entre as principais fontes de poluição. GuaraniRepresentantes dos quatro países do Mercosul se reuniram na semana passada, no Uruguai, para discutir o destino de uma das maiores reservas de água subterrânea do mundo e a mais importante da América do Sul, com cerca de 1,2 milhão de quilômetros quadrados. O Aqüífero Guarani estende-se pelo Brasil (71% da área), Paraguai (6%), Uruguai (4%) e Argentina (19%). A criação de um projeto comum aos quatro países é o tema do seminário ocorrido no Uruguai. O Projeto de Proteção Ambiental e Desenvolvimento Sustentável do Sistema tem apoio do Global Environment Facility (GEF) e do Fundo para o Meio Ambiente Mundial (FMAM). O valor do projeto é de US$ 26,7 milhões.

Agencia Estado,

25 de maio de 2003 | 09h43

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