Unicamp pesquisa novos métodos de despoluição

Novas tecnologias de remediação de áreas contaminadas estão sendo pesquisadas e difundidas pelo Laboratório de Química Ambiental da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Conhecidos como Processos de Oxidação Avançados (POA), eles podem substituir com vantagens o método mais utilizado atualmente no País, de incineração.O principal reagente desses processos avançados, a água oxigenada, deixa como resíduos no ambiente apenas água e oxigênio. Ao contrário da incineração, que pode liberar gases poluentes durante o processo da queima, além dos resíduos que se concentram nas cinzas. Outra vantagem é que a técnica de oxidação tem custo dez vezes menor que o da incineração.De acordo com o professor titular do Instituto de Química da Unicamp e pesquisador Wilson Jardim, as pesquisas sobre os POA têm se intensificado mundialmente nos últimos cinco anos. Ele explicou que, no Brasil, a técnica ainda é pouco conhecida. ?Há uma certa, e compreensível, resistência. Novas tecnologias sempre são olhadas com receio?, disse Jardim.Mas o pesquisador comentou que algumas experiências desenvolvidas no Rio de Janeiro, que saiu na frente na utilização da tecnologia, tiveram resultados muito positivos. Os POA foram utilizados na capital fluminense em terrenos de postos de combustíveis contaminados por vazamentos.Jardim explicou que o ?ator principal? da tecnologia, conhecido como radical hidroxila, é bastante eficiente para destruir moléculas de derivados de petróleo e solventes alogenados. Na região de Campinas, citou o professor, há pelo menos um milhão de toneladas de terra contaminada, das quais mais da metade poderia ser despoluída com o radical hidroxila.A desvantagem do processo é que esse reagente é altamente enérgico e se destrói muito rapidamente, o que pode ocorrer antes de os radicais terem atingido a molécula a ser destruída. ?Se os radicais não encontrarem o que destruir, eles se transformam em água e oxigênio muito rapidamente. Nosso desafio é justamente desenvolver estudos para que eles não durem tão pouco, otimizar o processo nos locais contaminados?, afirmou Jardim.O pesquisador citou como exemplo o caso do terreno contaminado pela Shell Química do Brasil no bairro Recanto dos Pássaros, em Paulínia (SP). Solo e lençol freático da área onde a indústria esteve instalada, nas décadas de 70 e 80, foram contaminados pelos organoclorados drins.Testes desenvolvidos no Laboratório de Química ambiental comprovaram que os radicais têm eficiência de 95% na destruição dos drins. Mas o teste foi feito ?na bancada?, conforme lembrou o professor. No caso de contaminação profunda, como o do antigo terreno da Shell, é preciso auxiliar os radicais para que eles cheguem até a área afetada sem se destruir antes.?É mais uma questão de engenharia que de química?, comentou Jardim. Ele disse que os pesquisadores do Laboratório têm se debruçado em estudos sobre coadjuvantes que possam auxiliar no processo. Descobriram que a luz solar é uma grande aliada, mas ainda não cabe para contaminações profundas.O pesquisador defendeu a importância de um amplo diagnóstico da área afetada antes de definir que remediação será utilizada. Para ele, a ?cartilha? dos POA é dividida em três fases. O mapeamento da área atingida é a primeira delas. Em seguida, avalia-se a viabilidade do uso da tecnologia. E somente então ela pode ser aplicada.Segundo Jardim, o Laboratório tem colaborado em parceira com empresas para desenvolver projetos de uso da tecnologia. Ele disse que nos casos de despoluição de áreas contaminadas por postos de gasolina, o processo leva em média seis meses. Mas enfatizou que tudo depende do diagnóstico da área afetada.

Agencia Estado,

12 de junho de 2002 | 18h12

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