Unicamp sintetiza substância que age contra câncer

Pesquisadores do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) sintetizaram uma substância que revelou altopotencial de combate a duas linhagens de câncer, uma de rim e uma de mama.O material foi testado com sucesso in vitro, em culturas de células cancerígenas, e mostrou-se mais eficaz que o produto natural, extraído de uma planta de origem asiática. Os efeitos da substânciasintética começaram a ser analisados em animais, nos chamados testes pré-clínicos.De acordo o resultado dessa fase, que inclui análises de toxicidade e pode demorar até três anos, terão início os testes clínicos, em sereshumanos, explica o pesquisador e coordenador da Divisão de Farmacologia e Toxicologia do Centro Pluridisciplinar de Pesquisa Química,Biológica e Agrícola (CPQBA) da Unicamp, João Ernesto Carvalho.Ele destaca a importância do trabalho, explicando ainda são poucas asalternativas terapêuticas quimioterápicas para tratamento de câncer.O professor do Departamento de Química Orgânica do Instituto de Química da Unicamp e pesquisador Ronaldo Aloise Pilli, que orientou apesquisa, acrescenta que a sintetização em laboratório de produtos para avaliação farmacológica são pouco usuais no País."A indústria nacional tem que entrar nesse setor", afirma. O trabalho foi desenvolvido pelo doutorando Ângelo de Fátima, a partir das características citotóxicas, de combate a células de câncer, da substância natural descritas na literatura médica.A planta em questão é conhecida como canela branca, originária da Ásia, mas que também produz no Brasil. Os pesquisadores isolaram oprincípio ativo da planta apontado na literatura como citotóxico, a goniotalamina, e o sintetizaram em laboratório.Por se tratar de uma molécula tridimensional, foi possível alterar sua estrutura química e chegar a vários resultados correlatos, diz Pilli. Nove compostos correlatos foram obtidos na pesquisa e testados in vitro. Desses, dois se revelaram potencialmente eficazes, um no combate de uma linhagem de células de câncer de rim e outro de células de câncer de mama. Ainda serão necessários vários anos para que, se todos os testes derem certo, o produto se transforme em droga.

Agencia Estado,

04 de junho de 2005 | 12h47

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