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Unidades do Pasteur no Brasil devem começar a funcionar em até 3 anos

'Presidente do instituto assinou nesta segunda uma parceria com a Fundação Oswaldo Cruz e a Universidade de São Paulo

Roberta Pennafort, O Estado de S. Paulo

08 Junho 2015 | 19h06

RIO - O presidente do Instituto Pasteur, de Paris, Christian Bréchot, estima que em até três anos estarão em funcionamento as duas unidades brasileiras da organização, uma em São Paulo e outra no Rio. Nesta segunda-feira, 8, ele assinou parceria com Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Universidade de São Paulo (USP) para instalar as “plataformas técnico-científico-educacionais”, com laboratórios e polos de pesquisa de modo a aproveitar as competências de cada instituição.

Referência mundial em pesquisa científica desde o século 19 - seus pesquisadores foram os primeiros a isolar o vírus HIV, em 1983 -, o Pasteur contará com a capacidade em medicina aplicada da Fiocruz e a excelência em educação da USP. Hoje, o instituto está em 26 países, mas só dois na América do Sul:  Uruguai e Guiana Francesa. “Estamos vindo para o Brasil porque é um país com muitos desafios, mas também muita força nas áreas da saúde pública e pesquisa. Nossa estratégia sempre pressupôs não ficar só na França”, disse. 

As áreas preferenciais das pesquisas no Brasil serão doenças como dengue, malária, chikungunya e leishmaniose. Além de Rio e São Paulo, equipes deverão ser alocadas na unidade da Fiocruz em Porto Velho (RO).

As instalações na USP deverão estar funcionando em um ano, calcula o vice-reitor, Vahan Agopyan. Ficarão em uma área de cinco mil metros quadrados no câmpus do Butantã, e já estão em fase de desenvolvimento de projeto.

“Esse é um momento histórico. Três instituições de perfis distintos e complementares estão se unindo. É importante conseguirmos projetos conjuntos de longo prazo”, afirmou o vice-reitor. O acordo estimula que pesquisadores brasileiros e franceses estreitem laços que alarguem seus

estudos. 

Segundo o presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha, o plano de negócios que colocará em prática o braço brasileiro do Instituto Pasteur estará pronto até o fim do ano, e a iniciativa, que tem como objetivo final a melhoria da saúde da população brasileira, contará com apoio de agências de fomento federais e estaduais, como a Fapesp, a Faperj e a Finep, e também do Ministério da Saúde. Além das doenças infecciosas, a bioinformática e as neurociências estarão no foco.

A Fiocruz é a única instituição brasileira associada à rede de centros de pesquisa do Instituto Pasteur e já existe uma colaboração nas áreas de imunologia e entomologia. As duas instituições têm ações de cooperação há um século. O sanitarista Oswaldo Cruz, criador do Instituto Soroterápico Federal (que futuramente levaria seu nome) em 1900, estudou no Pasteur, aberto 12 anos antes.

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