Unifesp estréia técnica de reconstrução de pênis

Médicos da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) realizaram na quinta-feira uma cirurgia de reconstrução de uretra e pênis. Foi a primeira vez que a técnica foi aplicada no Brasil e a terceira vez no mundo. O paciente é um menino de 2 anos e meio que nasceu sem o órgão.A doença é rara: 1 caso em cada 10 a 30 milhões de nascimentos. Até hoje, meninos que sofriam do problema tinham órgãos femininos reconstruídos no lugar. Só no fim da adolescência uma prótese que propicia a ereção era implantada."A técnica anterior causava conflitos psicológicos e levava até ao suicídio", explica o médico Antonio Macedo Jr., responsável pela operação no País. A prótese ainda será colocada depois, mas agora o menino vai crescer com uma imagem condizente com seu sexo.O método foi apresentado em abril no 16.º Congresso Europeu de Urologia pelo italiano Roberto de Castro, que fez as duas primeiras cirurgias. Ele acompanhou a equipe da Unifesp.O paciente foi abandonado pela mãe quando nasceu e adotado por uma funcionária do Hospital São Paulo. Na reconstrução, foram usados pedaços de tecidos do próprio menino, o que evita a rejeição, retirados do abdome e da mucosa interna da boca. Os órgãos reconstruídos crescem com ele. "A divisão celular continua."A técnica também tem a vantagem de ser feita em crianças bastante pequenas, que ainda não têm uma imagem corporal formada e tem a cicatrização acelerada - Castro, por exemplo, fez uma operação em um bebê de nove meses.Para esta sexta-feira está prevista a segunda cirurgia feita pela equipe da Unifesp, em um menino de 12 anos."Quando apresentei a técnica e perguntei o que achava, ele respondeu: ´doutor, esperei 12 anos por isso´."

Agencia Estado,

02 de dezembro de 2005 | 13h04

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.