Urbanização na Billings foi de 31,7% em dez anos

Se a devastação dos mananciais continuar no mesmo ritmo, em breve toda a região metropolitana de São Paulo sofrerá seriamente com a falta d´água. Para conscientizar a população sobre essa realidade, o Instituto Socioambiental (ISA) lança nesta segunda-feira a campanha Água Viva para São Paulo, que contará com anúncios na mídia e um site na Internet.A campanha foi idealizada a partir dos resultados de um estudo da organização não-governamental (Ong) sobre a situação da represa Billings, um dos maiores reservatórios artificiais em área urbana do mundo. O estudo mostra porque a Billings abastece somente 1,5 milhão de pessoas, quando teria água suficiente para 4,5 milhões.Poluição"Há 60 anos a represa recebe as águas poluídas do Tietê, por meio do rio Pinheiros, mesmo que nos últimos dez anos esse processo não seja constante. Mas o fator mais preocupante para o futuro do manancial é a ocupação desordenada na região", diz Marussia Whately, coordenadora do trabalho.No período analisado pelo ISA, entre 1989 e 1999, a bacia hidrográfica da Billings perdeu 6,6% da cobertura vegetal e teve crescimento urbano de 31,7%. Boa notícia"A boa notícia é que essa situação é reversível. A Billings ainda mantém 50% da vegetação nativa preservada e o formato do reservatório facilita a auto-limpeza da água. Por isso, não é um manancial perdido e tem condições de ser recuperado. Mas a população precisa saber que isso só será possível se o processo de ocupação for contido", informa. O dado mais impressionante sobre esse avanço em direção ao manancial é que metade do aumento populacional ocorrido entre 1991 e 1996, nos municípios que compõem a Billings (Diadema, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra, Santo André, São Bernardo do Campo e São Paulo), ocorreu dentro da bacia. NefastoDos 352 mil novos residentes no município de São Paulo, por exemplo, 178 mil (51,6%) foram morar ao redor da Billings. Para piorar, 45% desse crescimento se deu em áreas com sérias restrições ambientais, tornando os efeitos dessa ocupação ainda mais nefastos para a oferta de água do manancial.Para a ambientalista, a falta de ações efetivas das prefeituras e do Estado é a principal causa dessa situação. "Fizemos uma análise da atuação da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SMA) e verificamos que, apesar das irregularidades terem sido verificadas e autuações realizadas, não houve providências para reverter a situação. Assim, temos várias autuações em um mesmo local, primeiro de desmatamento, depois de movimentação de terra, seguido de construção irregular e disposição de lixo. Ou seja, o poder público acompanha o processo, mas não age. Não pode haver maior incentivo a novas ocupações do que a impunidade".PaliativasO relatório do trabalho (Billings 2000 - Ameaças e perspectivas para o maior reservatório de água da região metropolitana de São Paulo) mostra que as soluções são sempre paliativas. "Um exemplo é o Lixão do Alvarenga, na divisa entre Diadema e São Bernardo, que já foi fechado quatro vezes e conta com processo judicial contra as prefeituras. Estive lá nesta semana e não encontrei nenhum guarda ou qualquer controle na área. Ao contrário, vi vários depósitos de entulho novos ao longo do caminho", disse Marussia.Entre as soluções apontadas pelo ISA, está uma política de tolerância zero para irregularidades, seguida da recuperação das áreas já ocupadas. "Mas se as ações de recuperação, como saneamento e infra-estrutura, vierem primeiro, induzirão novas ocupações, que não terão mais fim".LazerMarussia defende ainda a criação de mecanismos que induzam outros usos para a região, que conta com apenas 2,6% da área em parques. "Temos uma beleza cênica ímpar, com vocação de lazer, em plena região metropolitana, que não pode ser desperdiçada", diz Marussia.Por meio do site da campanha (www.aguavivasp.org.br), as pessoas podem se informar sobre os resultados do estudo do ISA e participar de ações para recuperação dos mananciais. /ISA

Agencia Estado,

28 de abril de 2002 | 20h11

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